Bastidores

Os “Queiroz” da República, a triste sina brasileira

20 de junho de 2020 às 19h44
Entra governo e sai governo, e as tempestades rondam Palácio do Planalto (Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Se Deus é brasileiro, o diabo não se conforma com isso. E sempre apronta por aqui com suas tentações. A história do Brasil está cheia dessas pedras de tropeço. Aqui e acolá, aparece um Fabrício Queiroz para melar tudo e fazer o mundo cair.

Em 1990, Paulo César Farias arruinou o governo de Fernando Collor. O primeiro presidente da nova democracia ruiu depois de se descobrir que o famoso “PC” era mais do que um conterrâneo amigo do chefe do Planalto.

Com Lula da Silva, nem Marcos Valério era só um dono de agência prestadora de serviços de publicidade do governo e nem Delúbio Soares apenas tesoureiro do PT. Ambos operaram sofisticado esquema de compra de deputados no Congresso, denunciado pelo deputado Roberto Jefferson, que com seu PTB mordeu o queijo dos Correios.

Na Era Dilma, Alberto Youssef parecia mais um desses doleiros. João Vaccari Neto tão somente mais um tesoureiro do PT. Em ações individuais, porém, nem de longe concorrentes, abasteceram partidos e campanhas com recursos sangrados da Petrobrás.

Dilma foi removida mais cedo pra casa e o vice, Michel Temer, ascendeu. Mas o carma continuou. Pego com uma mala de R$ 500 mil, soube-se que Rodrigo Rocha Loures não era só assessor especial do presidente.

Quando o Brasil pensava ter virado a página, surge Queiroz. Ao que tudo indica, o assessor não é só amigo do presidente Bolsonaro e do filho Flávio. Era um tesoureiro informal com graves suspeitas de cítricos malfeitos.

A prisão de Queiroz é outra pedra devastadora a atravessar o caminho da Nação ainda em recuperação de traumas recentes. É uma trágica cena repetida e cansativa para um povo que, apesar de tudo, costuma insistir em ter esperança de exorcizar seus demônios.

Dizem que quando eles não aparecem, mandam secretários. Para o Brasil, enviam ‘tesoureiros’.

Vídeo

Heron Cid no Hora H: o “novo normal” na eleição de 2020


Mal cheirosa

Dona Candinha sobre o barulho resistência de setores governistas ao nome de Ricardo Feder para o MEC:

"Vai Feder!"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
E se não for Tovar e nem Bruno em Campina Grande, pelo bloco de Romero?
NÚMERO

R$ 798 milhões

Valor total do pacote de obras anunciado pelo governador João Azevêdo para retomada da Paraíba.