Crônicas

A mensagem de vida na morte de Dimesntein

29 de maio de 2020 às 12h51
Gilberto Dimenstein, ex-colunista de Folha e criador do site Catraca Livre (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

Gilberto Dimenstein, um dos mais respeitados jornalistas brasileiros, já não respira. O oxigênio de sua produtiva vida, porém, continua no ar.

Ele convivia com um câncer de pâncreas e morreu hoje pela manhã, aos 63 anos, em casa, dormindo.

Por 28 anos, de 1985 a 2013, escreveu na Folha. Teve passagens por CBN, Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Última Hora, Veja e Revista Visão antes de se dedicar ao jornalismo de causas sociais e fundar o seu Catacra Livre, uma das mais bem sucedidas experiências do gênero.

Desde quando recebeu o diagnóstico da doença, ano passado, o jornalista experimentava um paradoxo. Fez dos dias contados um combustível para viver.

Aliás, disse em entrevista que  – na incerteza da doença – vivia os melhores dias da sua vida.

“Câncer é algo que não desejo para ninguém, mas desejo para todos a profundidade que você ganha ao se deparar com o limite da vida (…) Aquele Gilberto Dimenstein de antes do câncer morreu”, expressou, definindo o seu estado de espírito.

Nos últimos anos, Dimenstein dedicou-se a projetos sociais de educação e cidadania. Fez na prática o que a teoria chama de jornalismo cidadão.

No Catraca Livre, disseminava a mensagem de uma comunidade mais igualitária, saudável e gentil, tudo o que o Brasil tem mais carecido nos últimos anos de guerra ideológica e confrontos estéreis.

O reconhecimento profissional não paralisou sua inquietude por novas descobertas, arriscando sempre com paixão, ousando e cometendo a irresponsabilidade saudável de trocar o seguro pelo incerto.

“Cultivando meu vício irrecuperável pela adrenalina do inusitado”, escreveu em sua última coluna, em 2013, na Folha. Algo que lembra uma frase de Wills Leal, jornalista paraibano que nos deixou recentemente: “Eu quero morrer vivo”.

Uma mensagem alentadora aos que se identificam com essa liberdade de experimentação e que, para vivê-la plenamente, têm coragem de renunciar vitrines e despir-se das vaidades de uma profissão de egos e apegos.

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