Bastidores

O que mata a gente é a cegueira e o fanatismo

25 de maio de 2020 às 16h43

Noite de 23 de outubro de 2018, véspera de segundo turno presidencial. Rio de Janeiro.

Para uma plateia vermelha e diante de um palanque lotado das principais lideranças de esquerda do Brasil, uma voz rompeu as palavras de ordem contra o ‘fascismo’ e empalideceu o ambiente.

O rapper  Mano Brown, um dos convidados do evento, disse o que ninguém imaginaria ouvir no próprio terreiro, olho no olho, cara a cara.

“A cegueira que atinge lá, atinge aqui também”. “O que mata a gente é a cegueira e o fanatismo”.

As duas frases, entre outras, cortaram “feito faca”, como cantou décadas atrás Belchior.

Era o excesso de sinceridade do músico, atestando o diagnóstico visto a olhos nus: o PT havia se perdido e o preço a ser pago seria a iminente derrota.

Saiu da boca do rapper, não de Caetano ou de Chico, artistas mais refinados, a provocação a uma autocrítica que, até hoje, não veio.

Um dedo na ferida latente do radicalismo que só consegue enxergar defeito e extremismo no cisco do olho alheiro, enquanto o próprio está cego por uma trave.

Quase dois anos se foram e o alerta d Brown a todos os manos brasileiros por discernimento e capacidade crítica continua contemporâneo e mais atual do que nunca.

No poder, o bolsonarismo se impõe pelo radicalismo cego e encara o presidente como ser supremo, infalível. Aconteça o que acontecer, faça o que fizer. Erre como errar. Ruim para o próprio governo que tende a se achar ainda mais absoluto.

Falta um “Mano Brown” por lá.

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Amém

Dona Candinha sobre a escolha, enfim, depois de muita polêmica, do novo ministro da Educação. E é pastor:

"Aleluia!"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
É impressão ou adversários têm mais pressa do que o próprio Luciano Cartaxo na escolha do seu candidato?
NÚMERO

R$ 3,5 bilhões 

Valor disponibilizado pelo Banco do Nordeste para agricultura familiar para o Plano Safra 2020/2021.