Opinião

Wilson Braga e o tempo…

18 de maio de 2020 às 12h57 Por Heron Cid

Com Wilson Braga, vai-se um dos últimos exemplares de sua espécie política, quase ameaçada de extinção pela singularidade e longevidade do ciclo.

São raros os contemporâneos que, com ele e seu tempo, assumiram trincheiras e continuam em atividade plena num mundo tão diferente da década de 1930 que pariu essa geração.

Homens e legados que testemunharam capítulos imprescindíveis da história da República Federativa do Brasil.

A morte de Vargas, o governo Juscelino, a renúncia de Jânio, a tumultuada ascensão de João Goulart, o Golpe de 1964, a ditadura, a reabertura, o colégio eleitoral, a redemocratização, o impeachment de Collor e Dilma…

Nesse longevo período, o filho da distante Conceição foi quase tudo. Experimentou o apogeu no comando do Estado, mas não se diminuiu ao assumir, depois dessa glória, a cadeira de vereador.

Era vocacionado para a política. Vocação que trespassou ciclos e suplantou conturbações na vida pessoal e pública.

Da passagem pelo governo, marcas ainda resistem na posteridade. No seu tempo, tão aclamadas. Com o passar do calendário, a natural evaporação, vencida somente pelas memórias mais persistentes.

E pelo o que a história há de registrar. Nem sempre com generosidade, nem sempre implacável.

No fundo, é isso mesmo. Esse é o compasso da vida.

O que ontem foi imprescindível e festejado, no futuro vai ficando no passado. É o destino de todos: “Toda glória (terrena) é passageira”. No fim das contas, ficam de verdade as poucas companhias de sempre.

Braga viu e viveu isso de perto na sua fase derradeira. Outros verão. Veremos. Esperar o contrário – define o salmista – “é como correr atrás do vento”.

Wilson Braga correu muito e agora descansa da empreitada final.

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