Bastidores

A trajetória de Wilson Braga

18 de maio de 2020 às 17h02

O Portal MaisPB trouxe hoje um levantamento sobre a trajetória política do ex-governador da Paraíba, Wilson Leite Braga, um dos mais populares do estado.

Os dados mostram pontos marcantes da vida de Braga, falecido ontem à noite, aos 88 anos de idade, e da história recente da Paraíba.

Ele foi vítima da covid-19. Assim como sua mulher, Lúcia Braga, dez dias atrás.

Trajetória

Wilson Leite Braga nasceu em Conceição (PB) no dia 18 de julho de 1931, filho de Francisco de Oliveira Braga e de Francisca Leite Braga. O pai foi chefe político do vale do Piancó e três vezes prefeito da cidade natal.

Bacharel pela Faculdade de Direito da Paraíba, em João Pessoa, presidiu a Casa do Estudante, instituição mantida com verbas federais e estaduais, destinada a abrigar os jovens que iam estudar na capital. Ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), na condição de secretário de relações internacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE) esteve em Praga, na Tchecoslováquia, participando de um encontro internacional da Juventude Comunista. Na ocasião conheceu e fez amizade com Enrico Berlinguer, mais tarde líder e presidente do Partido Comunista Italiano (PCI).

Ele era casado com a ex-deputada Antônia Lúcia Navarro Braga com quem tem teve três filhos, Marcelo (falecido), Patrícia (falecida) e Marianna. Tem como irmãos a ex-deputada estadual e ex-prefeita de Conceição Vani Braga, o médico e ex-prefeito de Conceição Walter Leite Braga, e Nice Leite Braga Pegado, que é mãe do ex-prefeito Alexandre Braga.

Deputado Estadual (1955-1967 e 2011-2015)
Deputado Federal (1967-1982, 1995-1999, 1999-2003 e 2007-2011)
Vereador de João Pessoa (1993-1994)
Governador da Paraíba (1983-1986)
Prefeito de João Pessoa (1989-1990)

Disputas

No pleito de outubro de 1954 elegeu-se deputado estadual na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Quatro anos depois, em outubro de 1958, ao pretender reeleger-se pela Coligação Nacionalista Libertadora, formada pela UDN e o Partido Libertador (PL), obteve a primeira suplência. Deixou a Assembléia em janeiro de 1959.

Empreendeu nova tentativa em outubro de 1962, desta vez na legenda do Partido Socialista Brasileiro (PSB), e foi o candidato mais votado, iniciando o mandato em janeiro de 1963. Vice-presidente da Assembléia Legislativa (1965-1966) e presidente da Comissão de Finanças (1966), secretariou também o Conselho Estadual de Desenvolvimento.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº. 2 (27/10/65) e a posterior adoção do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instaurado no país em abril de 1964, conquistando em 1966 uma cadeira de deputado federal.

Reeleito em novembro de 1970, assumiu a coordenação da bancada (1971-1973) e a presidência da Comissão de Legislação Social da Câmara. Foi suplente na Comissão de Orçamento do Congresso. Organizador e presidente do I Seminário de Direito do Trabalho e presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre substâncias alucinógenas (1973-1974)  e da comissão mista sobre impostos únicos, relatou os projetos de lei que instituíam normas reguladoras do trabalho e programas de assistência ao trabalhador rural.

No pleito de novembro de 1974 alcançou o terceiro mandato federal, sendo mais uma vez o candidato mais votado do seu partido no estado. Suplente da Comissão de Finanças e adepto do grupo frotista, que seguia a liderança do general e ministro do Exército Sílvio Frota, contrário à abertura política posta em execução pelo então presidente da República Ernesto Geisel (1974-1979), em 21 de setembro de 1978 votou a favor da emenda constitucional de autoria do senador Francisco Acióli Filho, propondo a extinção dos chamados senadores ‘biônicos’ – eleitos por via indireta – afinal não aprovada.

Mais uma vez reeleito em novembro de 1978, foi primeiro secretário da Câmara dos Deputados (1979-1980). Com a extinção do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se no ano seguinte ao Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena. Em abril de 1980 tentou criar a Frente Nacionalista Parlamentar, integrada por deputados de todos os partidos empenhados em “defender os interesses das empresas nacionais, sacrificadas diante da política econômica do governo”.

Governo Wilson Braga

Em novembro de 1982, concorrendo pelo PDS, tornou-se governador da Paraíba, derrotando o candidato do PMDB, deputado Antônio Mariz.

Na primeira entrevista coletiva após a eleição prometeu fazer um governo político, subordinando os técnicos, e apoiar o movimento dos governadores por reformas na Constituição e no sistema tributário. Afirmou que criaria uma Fundação do Trabalho, dirigida por sua mulher, Lúcia Braga, encarregada de cuidar do desemprego e de problemas sociais na Grande João Pessoa.

Disse estar disposto a obrigar os proprietários rurais a devolverem terras pertencentes ao estado, fato este que atingia o usineiro e líder do PMDB na Assembléia Legislativa, José Fernandes de Lima Júnior, bem como abolir as vantagens percebidas por ex-governadores que acumulavam pensões, casos específicos dos oposicionistas Pedro Gondim e Dorgival Terceiro Neto.

Logo que tomou posse Wilson Braga lançou o projeto Canaã, com vistas à captação e aproveitamento de recursos hídricos e a multiplicação de empregos no sertão semi-árido, duramente atingido pela seca. A idéia era reverter o declínio dos principais produtos agrícolas e industriais do estado que atravessava um momento de profunda crise econômica e financeira, inclusive com os salários do funcionalismo público em atraso.

Entre as suas realizações no governo destacou-se o projeto João de Barro, que criava estímulos às famílias desabrigadas para a construção de suas próprias casas, com material doado pelo estado, e que foi afinal adotado pelo Ministério do Interior, via repasses financeiros do Banco Nacional da Habitação (BNH).

A área social urbana ficou entregue à Fundação Social do Trabalho, presidida por sua mulher Lúcia Braga, que comandou a construção de 14 mil casas populares na periferia de João Pessoa, no chamado mutirão da habitação. Já o mutirão escolar, apoiado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),  tinha em vista garantir matrícula a cerca de 30 mil crianças marginalizadas, utilizando todo tipo de acomodação, tais como campos de futebol, igrejas, clubes e galpões. O governo estadual garantia material escolar, merenda e atendimento médico-odontológico.

Pretendendo eleger-se ao Senado, Wilson Braga desincompatibilizou-se do cargo de governador da Paraíba no dia 14 de maio de 1986, passando-o ao desembargador Rivando Bezerra Cavalcanti, posto que tanto o vice-governador quanto o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Evaldo Gonçalves, eram candidatos a outros postos eletivos.

Em 1988, devido ao afastamento da mulher, candidata oficial do PFL à Prefeitura de João Pessoa, para tratar de uma filha doente, Wilson Braga assumiu a disputa. Liderava as pesquisas, em novembro, quando foi denunciado pelo procurador-geral da Justiça do estado por crime de peculato e desvio de verbas no período em que fora governador. Apesar disso, conquistou a prefeitura da capital. Assumindo o mandato em 1° de  janeiro de 1989, em substituição a Antônio Carneiro Arnaud, passou a comandar a campanha presidencial de Leonel Brizola, candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), no estado, apesar de o candidato do PFL ser Aureliano Chaves.

Pouco antes das eleições presidenciais de novembro de 1989, a Polícia Federal divulgou o relatório do inquérito sobre o assassinato do jornalista Paulo Brandão, indiciando Wilson Braga como mandante do crime. Excluído da denúncia mediante sentença do Tribunal de Justiça da Paraíba, ele alegou estar sendo vítima de uma campanha tramada pela imprensa com apoio do então governador Tarcísio Buriti.

Ante o resultado do primeiro turno em que Brizola foi derrotado, Braga apoiou Luís Inácio Lula da Silva, que perdeu no segundo turno para Fernando Collor de Melo. Permaneceu à frente do Executivo municipal até 3 de abril de 1990, quando transferiu o cargo ao vice-prefeito Carlos Mangueira, para concorrer ao governo do estado.

Vídeo

Pandemia, prefeitos e a despressurização eleitoral; comentário de Heron Cid na Hora H


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PONTO DE INTERROGAÇÃO
Quem são os integrantes do tal “gabinete do ódio” na Paraíba?
NÚMERO

1.290

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