Bastidores

Ministros breves (por Gustavo Krause)

16 de maio de 2020 às 16h06
Nelson Teich Adriano Machado/Reuters

Taí um assunto que entendo: pouca duração no cargo e no poderoso Ministério da Fazenda. Itamar assumiu o governo após o desfecho do impeachment do Presidente Fernando Collor, provavelmente, o primeiro caso de impedimento na história do presidencialismo. Virou vício. De Collor, até nossos dias já houve 240 pedidos. Somos bicampeões e a bola está em jogo.

Na época, a crise política ardia com inflação acima dos 20% e imune à violência do confisco da poupança, PIB estagnado e o povo nas ruas, clamando por ética na política. Na Fazenda, o admirável diplomata e homem público Marcílio Marques Moreira lutava bravamente contra a mais perversa e crônica enfermidade econômica, a inflação. Em vão. O Governo acabara.

Em 29 de setembro de 1992, a Câmara Federal votou a favor da abertura do impeachment. No dia 01 de outubro, o então governador de Pernambuco, Joaquim Francisco me avisou que o Presidente Itamar, à noite, queria conversar conosco.

No caminho, Joaquim abriu o jogo: – Itamar vai convidar você para o Ministério da Fazenda. Era Integração. Tomei um susto que só foi menor do que o susto que os brasileiros tomaram no dia seguinte.

Fiz sinceras ponderações. Falei das expectativas em torno do perfil do Ministro da Fazenda, tais como, formação acadêmica, certidão de nascimento, enquanto eu, apesar da experiência política e de gestão pública, era, no plano nacional, um não ilustre desconhecido, caipira o que contrariava as expectativas dos agentes econômicos.

Refutado pela plateia, o Presidente reiterou o convite o que muito me honrou: – Presidente, grato pela confiança. Varei a noite, insone, para enfrentar a fuzilaria midiática. Cunhei frases condenando a imprevisibilidade e a pajelança.

Na volta, disse a Joaquim: isto é uma máquina de moer Ministro. Não considere Pernambuco contemplado. Com 75 dias de Ministério, percebi que pensávamos diferentes e pedi ao Presidente para sair. Com uma ressalva: Itamar era, um democrata, republicano, polido e que se tornou meu amigo até os últimos dias de vida.

A experiência é presunçosa. Quando vi o doutor Nelson Teich. Médico renomado. Sensato. Pensei: o Ministro não comemora a data polêmica da abolição da escravatura. Errei por dois dias. É simples entender. Bolsonaro se basta. É um semideus e forte candidato a deus. As “estrelas” que o rodeiam, no entanto, não brilharão na aventura celestial. É suficiente desfrutar, agora, do prazer doentio do capitão da reserva receber continências de generais de quatro estrelas.

*Gustavo Krause foi ministro da Fazenda do governo Itamar

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