Bastidores

Desafios do setor  Educacional Pós-Pandemia (por Antônio Colaço Martins Filho)

2 de maio de 2020 às 11h30

Por força da Pandemia Covid-19, especialistas têm reportado uma tendência de prolongamento de restrições de realização de atividades presenciais, seja por questões sanitárias, por demanda do empregador ou por escolha pessoal. Para muitos experts, mesmo após o levantamento de medidas legais de restrição de contato, os períodos de distanciamento social, ora experimentados, vão imprimir mudanças perenes nos hábitos de consumo, bem como no estilo de vida e nas relações profissionais, fenômeno cunhado como Low Touch Economy. Tais alterações de comportamento demandarão relevantes adaptações do setor cultural educacional.

As restrições de convivência, projetadas para além da vigência dos decretos governamentais, imporão estilos de vida diferentes, caracterizados por períodos mais longos no interior das residências, onde as pessoas passam a despender o tempo anteriormente consumido pelos deslocamentos (casa-trabalho-casa) e pelo trabalho (ora virtualizado). Para muitos, o distanciamento suscita angústias, ansiedade e reflexões pessoais, sentimentos outrora sufocados ou negligenciados pelos compromissos profissionais e pessoais da rotina dos centros urbanos. A emergência desses sentimentos favorece o interesse por conteúdos educacionais de autoconhecimento e bem-estar pessoal. Ainda no âmbito individual, a solidão de quem não conta mais com a intensa companhia presencial dos colegas de trabalho indica um incremento do mercado de animais de companhia e, por conseguinte, da demanda por cursos de Medicina Veterinária que propiciem o desenvolvimento de competências para atendimento dos pets em domicílio. A inspeção de produtos de origem animal também tende a ganhar evidência.

Por outro lado, a restrição de contato social impele os cursos de Psicologia a desenvolverem profissionais capazes de prestar serviços com a mediação de tecnologias de informação, respeitados os preceitos éticos envolvidos.

De permeio, a restrição social (low touch), reverte os polos de contato social, fazendo com que as pessoas passem a ter mais convivência e interação física com seus familiares, do que com colegas de trabalho. Nesse contexto, vislumbra-se o crescimento da demanda por conteúdos que tratem de relações interpessoais, vínculos conjugais e parentais. No âmbito profissional, as competências de comunicação, empatia e liderança para lidar com equipes a distância são fundamentais aos gestores de todas as áreas, devendo ser enfatizadas, sobretudo, nos cursos de Administração e Gestão de Recursos Humanos. Não por acaso, cursos online de inteligência emocional e liderança grassam pela internet e conquistam milhares de adeptos.

Para os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Design de Interiores, apresenta-se o desafio de projetar e executar espaços residenciais que contemplem as novas necessidades de convívio familiar e profissional (resguardo da privacidade da família perante as webcams do home office).

A mudança de comportamentos da era pós-Covid-19 traz ainda novas demandas no que tange à metodologia empregada para tornar eficaz a comunicação entre empregadores e empregados, autônomos e clientes, empresas e consumidores, empresas e fornecedores, empresas e setor público, para citar alguns exemplos. Os currículos dos cursos de tecnologia devem se adaptar para contemplar tais necessidades.

No nível da educação superior, a limitação de momentos presenciais pode, enfim, levar as instituições e seus contratantes a se darem conta de que o trabalho acadêmico efetivo deve ir muito além da preleção em sala de aula, como o Conselho Nacional de Educação já reconheceu há mais de uma década. Assim, as Instituições de Educação Superior poderão valorizar as atividades de iniciação científica, trabalhos individuais e em grupo, entre outras atividades práticas supervisionadas, tanto quanto as preleções presenciais. Nesse contexto, a atividade de transmissão de informações tende a ser predominantemente executada por meios de tecnologia da informação, com momentos síncronos (professores e alunos atuando ao mesmo tempo, em locais diferentes, como nas aulas remotas) e assíncronos (aluno acessa conteúdo anteriormente postado pelo professor em ambiente virtual de aprendizagem). Os momentos presenciais, por sua vez, tendem a ser consumidos por atividades em que alunos e professores executam atividades relacionadas à execução de projetos.

A Era Pós-Covidiana da Low Touch Economy, como exposto, arroga contornos ainda embotados pela insegurança sanitária, jurídica, psicológica e financeira que hão de nos assombrar pelos próximos anos. A atuação do setor educacional será fundamental para a convivência instituições e seus contratantes a se darem conta de que o trabalho acadêmico efetivo deve ir muito além da preleção em sala de aula, como o Conselho Nacional de Educação já reconheceu há mais de uma década. Assim, as Instituições de Educação Superior poderão valorizar as atividades de iniciação científica, trabalhos individuais e em grupo, entre outras atividades práticas supervisionadas, tanto quanto as preleções presenciais. Nesse contexto, a atividade de transmissão de informações tende a ser predominantemente executada por meios de tecnologia da informação, com momentos síncronos (professores e alunos atuando ao mesmo tempo, em locais diferentes, como nas aulas remotas) e assíncronos (aluno acessa conteúdo anteriormente postado pelo professor em ambiente virtual de aprendizagem). Os momentos presenciais, por sua vez, tendem a ser consumidos por atividades em que alunos e professores executam atividades relacionadas à execução de projetos.

A Era Pós-Covidiana da Low Touch Economy, como exposto, arroga contornos ainda embotados pela insegurança sanitária, jurídica, psicológica e financeira que hão de nos assombrar pelos próximos anos. A atuação do setor educacional será fundamental para a convivência e adaptação a esse novo contexto socioeconômico.

*Antônio Colaço Martins Filho – Chanceler do Centro Universitário Fametro, bacharel em direito pela Universidade Federal do Ceará, Especialista em Direito Público pela Universidade Gama Filho, autor do livro “Direitos Sociais  – Uma década de justiciabilidade na Jurisprudência do STF”,  lançado em 2010,  que tem como foco a análise de decisões, despachos da presidência e acórdãos proferidos pelo Supremo entre os anos de 1997 e 2009. O selo é da Imprece Editorial de Fortaleza. Ele é filho dos professores Antônio Colaço Martins e Graça Holanda Martins, proprietários do Centro Universitário Uniesp, com 22 anos em solo paraibano. O pai é cidadão paraibano, numa iniciativa do deputado Lindolfo Pires.

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