Bastidores

Viva a balbúrdia (por Anne Nunes)

18 de abril de 2020 às 17h50
Protótipo de respirador fabricado pela UFPB

As universidades públicas desenvolvem papel transformador em toda a sociedade. Mas e se essas instituições não existissem? Certamente, estaríamos atravessando essa fase pandêmica de forma ainda mais obscura. Isso porque nossas instituições públicas realizam mais de 95% da ciência no Brasil, e no momento atual, elas têm contribuído com diversas pesquisas, ações e medidas de combate a Covid-19.

O país está tendo uma grande oportunidade de reconhecer e valorizar o trabalho desenvolvido por essas instituições de ensino, que precisam buscar alternativas para se manter funcionando diante do crescente corte nos recursos. É cada vez mais visível que apenas com o incentivo e fortalecimento do ensino, pesquisa e extensão que encontraremos mecanismos para derrotar o coronavírus.

O investimento na educação pública gera frutos e resultados importantes, e prova disso, é que o principal papel das instituições tem sido a produção de métodos e diagnósticos adequados ao nosso perfil sanitário e insumos para a prevenção como vacinas, medicamentos e equipamentos, bem como formular e avaliar as políticas implementadas pelos governos.

A Universidade Federal da Paraíba, por exemplo, criou recentemente um respirador pulmonar 37 vezes mais barato do que os usado atualmente para o tratamento de pessoas diagnosticadas com coronavírus. Os aparelhos desenvolvidos pela UFPB são equipados com tecnologia wireless, visor touch-screen e sistema multibiométrico e tem custo de produção de R$ 400,00, diferentemente dos modelos mais baratos disponíveis no mercado, encontrados no valor de R$ 15.000,00. Vale ressaltar que o projeto está com a licença aberta para os interessados em produzir o ventilador pulmonar.

A equipe inovadora de pesquisadores vem do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN) e do Centro de Informática (CI) e entregou a demanda solicitada pela Agência UFPB de Inovação e Tecnologia em apenas 48 horas. Aparelhos respiradores são fundamentais para tratar pacientes em estado grave pela covid-19, e especialistas estimam que a solicitação por esses equipamentos no Brasil deva chegar a 40 mil unidades até o final de abril.

Ou seja, as universidades chamadas de “balbúrdia” pelo governo Bolsonaro contribuem efetivamente para saúde da população brasileira, em especial, do povo pobre e trabalhador, setor mais assolado pela crise. Uma educação emancipadora, que produza conhecimento científico a favor dos mais necessitados precisa ser prioridade em nosso país. Necessitamos, urgentemente, ressignificar os olhares sobre as universidades públicas, a fim de redirecionar a expansão da produção científica. Só assim poderemos realizar o verdadeiro combate à pandemia.

É uma lástima que alguns políticos e setores da sociedade não reconheçam a relevância e a variedade de conhecimentos criados nas instituições públicas, tanto nas ciências básicas quanto nas aplicadas. Relembro que o presidente Bolsonaro afirmou que pesquisas importantes são realizadas apenas em algumas instituições privadas do país. Em síntese, é reflexo do desconhecimento – preocupante – que demonstra total falta de percepção da realidade. Esta oposição às instituições públicas, às ciências básicas e às humanidades representa a ignorância e o obscurantismo.

Prefiro o time da balbúrdia! Viva o ensino público, a pesquisa e o conhecimento científico.

*Anne Nunes – Jornalista e Pós-graduada em Comunicação e Marketing Político

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