Bastidores

O repórter insaciável

10 de abril de 2020 às 19h03
Magno Martins é cronista e analista dos bons, mas o repórter inquieto que há nele supera todas as qualidades do jornalista aplicado

Jornalista é uma profissão fulltime. Levada a sério, não tem hora e nem dia. Magno Martins consegue extrapolar essa característica ao extremo. A obsessão do confrade pernambucano pela notícia me trouxe a certeza de que falta razão à minha mulher – também jornalista – quando reclama de minha dedicação exagerada ao ofício.

Perto de Magno Martins, eu sou um moderado. Essa descoberta não me trouxe nenhum alívio, confesso. Apenas um argumento para me defender em casa das horas que chego tarde ou dos fins de semana enfiado dentro do quarto-escritório produzindo textos e leituras políticas da cena nacional e do quadro político paraibano.

Mas, não posso negar. A imersão de Magno me provocou o que alguns chamam de inveja saudável. Não que eu seja desprovido de idêntico apetite pela informação. Falta-me, talvez, a disciplina que sobra nele em conciliar o tempo escasso entre a pesada carga profissional com família, amigos e outras paixões e demandas.

Martins vai além disso. Afora a esfuziante produção jornalística diária, sem intervalo, o filho de Afogados da Ingazeira ainda arranja tempo para viver na ponte aérea Recife/Brasília, proferir palestras, escrever poesias e rodar o Nordeste de carro prospectando boas histórias que terminam imortalizadas em seus livros.

Um deles, Reféns da Seca, carrega a culpa de nossos caminhos terem se cruzado. Foi quando o conheci numa entrevista dele ao Correio Debate, da Rede Correio de Rádio, em João Pessoa, no período em que apresentei o programa, um dos mais emblemáticos da Paraíba. Era 2014 e Magno estava lançando o resultado de exaustiva e grande reportagem pelos grotões nordestinos, périplo que rendeu personagens e vozes sobre a longa estiagem que vivemos nessa década passada.

De lá para cá, fizemos despretensiosa amizade e os anos seguintes se encarregaram de nos aproximar mais. Não demorou e enxerguei em Magno essa referência de inventividade, ousadia e impetuosidade, marcas que forjaram nele o diferencial que abriu portas para novos mercados.

Uma bagagem que garantiu força e tamanho ao seu Blog, aniversariante hoje de 14 anos e líder absoluto na crônica política pernambucana, e o alcance do seu Frente a Frente, programa diário de rádio, às 18h, veiculado em dezenas de emissoras de seu estado natal.

Aliás, numa das visitas a Magno, no Recife, para acompanhar seu programa ao vivo, saí inspirado pela combinação conquistada. Na mesma redação, jornalismo digital e produção radiofônica andando juntas e em sintonia. Matutei por anos e, inspirado na sua exitosa e bem sucedida experiência, pedi demissão dos empregos de rádio e televisão e decidi seguir a mesma estrada em carreira solo, andando com as próprias pernas e fazendo dura travessia da zona de conforto para o desconhecido.

É o que tenho vivido desde dezembro passado no Hora H, programa diário de rádio, também na boca da noite, às 18h, exibido na Rede Mais (14 emissoras comerciais em conexão estadual), e simultâneamente com os desafios do Blog político e do Portal MaisPB, que também aniversaria neste 2020, batendo o ponteiro dos dez anos.

Se nessa empreitada aferir metade da performance e longevidade de Magno Martins, esse incansável jornalista político, já me darei por plenamente satisfeito. Afinal, o insaciável aqui entre nós é ele. Um esfomeado e sedento por notícia. É disso que ele se alimenta. É para isso que acorda. É por isso que não dorme.

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