Opinião

A ‘mágica’ da Bolsa Quarentena: quem pagará a conta?

25 de março de 2020 às 22h27 Por Heron Cid
Paulo Guedes estuda proposta que transfere de quem ganha muito para quem nada tem durante crise do coronavírus - Poder360 Ideias/Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Uma coisa é certa no meio de tantas incertezas. Somente mandatários e servidores públicos estão imunes, até aqui, aos nocivo efeitos econômicos da crise do coronavírus.

Esses aguentam a quarentena com a certeza de que o dinheiro baterá na conta no fim do mês. Pode durar uma década…

Já empresários e trabalhadores (formais e informais) dependem do que produzem. E é o que esse segmento produz que mantém o combustível da máquina pública.

A grande preocupação nacional, além de estabilizar o vírus, é como manter a economia de pé e a sobrevivência do comércio, dos serviços e de quem vive deles.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está esquadrinhando a primeira proposta. Para ajudas e bolsas, estuda corte de 30% dos servidores públicos que ganha acima de R$ 10 mil.

Esse pedaço gera uma fatia de R$ 130 bilhões, que dá pra pagar bolsas entre R$ 300 e R$ 400 reais para um contingente de 55 milhões de desempregados ou em condições informais, todos em vulnerabilidade social.

Como o orçamento público não é um saco sem fundo, a medida tem lógica e caráter de justiça social. Os poucos que ganham muito ajudam a pagar a conta dos muitos que nada estão ganhando.

Mas nesse debate cabe mais: qual será a cota de sacrifício do bilionário sistema financeiro (bancos), que nunca perde nada em crise alguma. E dos donos das grandes fortunas?

Está na hora de inserir no pacote os integrantes do grupo de menor risco (sempre!). Do contrário, será seletivo demais.

Vídeo

Veja meu comentário na Hora H: “Queda de receita desafia contas públicas e economia”


A inversão…

Dona Candinha e a sentença da quarentena:

"A gente preso e os presos soltos!"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
Na roleta russa lançada, quem vai arriscar sair de casa?
NÚMERO

114 mortos

Número de pacientes mortos pela covid-19 no Brasil, nas últimas 24 horas, segundo boletim do Ministério da Saúde.