Bastidores

Um domingo da mais gritante inconsequência (por Sérgio Botelho)

16 de março de 2020 às 09h41

Em discurso nesse conturbado domingo, 15, o governador Ronaldo Caiado (DEM-GO) criticou duramente os atos públicos em curso, no dia. Médico, o mandatário goiano alertou: “vocês precisam entender a responsabilidade de fazer com que aglomerações provoquem a disseminação do vírus”.

Caiado falava em pleno ato público contra o Congresso Nacional e o STF, e a favor do presidente, na versão goiana. As vaias que se seguiram à fala do governador de Goiás indicaram claramente o grau de radicalização, e desprezo pela ciência, que tomou conta dos manifestantes. E, pior: do próprio presidente da República, que resolveu comparecer pessoalmente aos protestos.

Mas, não foi apenas Ronaldo Caiado quem, do lado da direita, alertou para a inadequação dos atos. O próprio ministro da Saúde, Luiz Mandetta (DEM-MS), do governo federal, reiterou que o veto às aglomerações, emitido pelo MS, valia para todo mundo, sem exceção, uma vez calcada na realidade da pandemia do coronavírus, e das recomendações dos organismos de saúde internacionais.

Vozes dos mais diversos pigmentos ideológicos, da mesma forma, se levantaram contra os atos deste domingo, 15. Por sinal, atos que de longe representaram, em termos numéricos, o que pretendiam seus organizadores. Mas, em número suficiente para gerar ambiente propício à propagação do coronavírus.
Sobre isso, é bom lembrar que simples ágape reunindo o presidente Trump e o presidente Bolsonaro, nos Estados Unidos, foi suficiente para infectar, até agora, 10 participantes da delegação brasileira, segundo a CNN-Brasil, inaugurada nesse mesmo domingo, 15. Lista em que se inclui um senador da República.

Luta mundial
O mundo inteiro, neste momento, luta contra a propagação do coronavírus. Não tanto pela sua letalidade (apesar de preocupante), mas, sobretudo, pela falta de estrutura nos sistemas de saúde pública, no mundo inteiro, para suportar um grande aumento de casos mais graves. No Brasil, essa situação é ainda mais alarmante.

E tem mais. Em nosso país, o coronavírus dá os seus primeiros e ameaçadores passos, e, portanto, o desprezo às recomendações científicas pode ser trágico. A Itália e a França estão pagando preços altíssimos por não terem se mobilizado a tempo.

No Brasil, a situação, após os atos em prol do governo, vai assumindo contornos semelhantes. É de se registrar o grande número de pessoas, nesses atos, que desconheciam o real perigo do coronavírus, por ignorância pessoal. Mas, também, por outras, em elevadíssimo número, que foram convencidos de que o coronavírus é inofensivo. Um quadro fatal para o desmonte dos mínimos procedimentos para evitar a disseminação do vírus.

Li, nas redes sociais, por exemplo, comentários de defensores das manifestações considerando seus participantes como ‘heróis’, por enfrentarem o vírus ‘pelo bem do Brasil’. Pasmem!

Considerar heroísmo um risco que não é apenas de quem participa de aglomerações, como é o caso das desse domingo, 15, é desconhecer o alcance da ousadia. O risco, definitivamente, não fica restrito às pessoas que participaram fisicamente dos atos.

O pior, no caso, é que elas passam a se constituir em vetores da doença assumindo a condição de potenciais agentes da multiplicação de doentes, ameaçando colegas de trabalho, transeuntes eventuais, familiares e com quem elas se encontrem dali por diante.

Agora, diante do fato consumado, é agir para limitar, ao máximo, as consequências que podem advir das manifestações, com iniciativas que partam, sobretudo, dos poderes Legislativo e Judiciário.

Ações que consigam unir em uma só aglomeração, daqui em diante, gente da direita democrática, da socialdemocracia, do centro, da esquerda, e de onde for possível convocar, para retomada, o mais rápido possível, da trilha democrática que o Brasil vem reconstruindo desde 1988.

MaisPB

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