Opinião

Dois governos em um

16 de março de 2020 às 14h11 Por Heron Cid

O governo Bolsonaro é mesmo disruptivo. Na forma como chegou ao poder, no modelo como governa e no método de como se sustenta. É diferente de tudo que já se viu na República.

Na verdade, funciona como se dois fossem.

Há o governo do vice-presidente General Hamilton Mourão, o vice-presidente, mais sensato e ponderado, qualidades que provocaram automática e desconfortável comparação, até o ponto de precisar silenciar, e o do ex-capitão, afoito, intrépido e ousado até dizer basta.

O governo de uma Casa Civil dos tempos de Onyx Lorenzoni que conversava, nos bastidores, com líderes e até negocia espaços, e o que, em público, açoita o Parlamento e amaldiçoa negociações e articulações.

Aquele que, se não trabalhou, cruzou os braços e viu como vitória a reeleição de Rodrigo Maia, o que vibrou com a queda de Renan Calheiros frente a Davi Alcolumbre e o que agora trata ambos como inimigos a serem combatidos.

O governo do Ministério da Saúde que recomenda os maiores cuidados à população, alerta sobre os perigos do coronavírus, o que leva o presidente em rede nacional a usar máscara e recomendar o fim das manifestações, e o que, dois dias depois, leva seu líder líder ao protesto desprotegidamente com aperto de mão e acenos aos admiradores e fãs na porta do Palácio.

São dois governos em um. Com linguagens destoantes do dia para a noite, é difícil traduzi-lo e entendê-lo. Codificá-lo e absorvê-lo como ele é, ou não é, consiste numa tarefa que exige cada vez mais sectarismo e fé incondicional.

Uma disruptura existencial.

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