Bastidores

Superpop (por Diogo Mainardi)

1 de março de 2020 às 13h23

Na segunda-feira, no Sambódromo, Luciana Gimenez pronunciou a frase do século:

“Bolsonaro quem inventou fui eu, né?”

Sim, foi ela. O que confirmou a fama de agourento de Mick Jagger. Sua passagem pelo Brasil, em 1998, quando ele conheceu a apresentadora de TV, desencadeou uma série de reveses que acabaram conduzindo Jair Bolsonaro da poltrona branca do Superpop diretamente para o Palácio do Planalto. Só falta um controle remoto para mudar de canal.

Estupidamente, eu nunca havia assistido às entrevistas de Jair Bolsonaro a Luciana Gimenez. Resolvi dedicar-me a elas na Quarta-Feira de Cinzas. As chamadas do programa refletem o seu modo de governar: “Bolsonaro frente a frente com o beijo gay”, “Bolsonaro encara transex que está bombando na web”, “Felipeh Campos se revolta com atitude do deputado Jair Bolsonaro”. O gabinete presidencial tornou-se um anexo do estúdio da RedeTV.

Luciana Gimenez costumava convidar Agnaldo Timóteo para participar das entrevistas com Jair Bolsonaro. É uma pena que ele não possa ser nomeado para a Casa Civil. Num dos programas, o letreiro dizia: “Jair Bolsonaro acredita que uns tapas na criança ajudam a corrigir socialmente”. A tela, naquele instante, mostrava a imagem de Eduardo Bolsonaro, sentado na platéia.

Superpop não foi o único programa a que assisti nos últimos dias. Desde que Veneza entrou em quarentena por causa do novo coronavírus, tenho passado horas e horas na frente da TV. A rigor, estou em quarentena há cinco anos. O Antagonista confinou-me em casa. O site é igual ao novo coronavírus – só que mais letal. O que mudou com a atual quarentena é que eu, moribundo, agora estou enclausurado em casa com o resto de meus familiares.

Além de ver velhos programas de TV, eu vejo também o que ocorre fora da janela. Neste momento, os peões estão desmontado a plataforma que havia sido construída no hotel Gritti, do outro lado do canal, para as filmagens de Missão Impossível, que foram suspensas devido ao novo coronavírus. Em 1576, durante a epidemia de peste, Veneza perdeu Tiziano. Agora, com o novo coronavírus, a cidade perdeu Tom Cruise. É sinal dos tempos. Os tempos do Superpop.

Crusoé

Vídeo

Meu comentário na Hora H: “Coronavírus lá fora e o efeito dentro da gente”


Os próximos 9 meses

Assanhada, Dona Candinha diz que nem tudo é privação e saiu-se com essa:

"Vêm aí os filhos da quarentena!"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
Na roleta russa lançada, quem vai arriscar sair de casa?
NÚMERO

240 mortes

Levantamento os casos do Brasil no último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, na noite desta quarta-feira.