Bastidores

O tempo da urgência: estamos cheios de horas e vazios de nós

1 de março de 2020 às 15h42
No modelo contemporâneo de vida, o relógio sempre nos mostra débito, conosco e com os outros; até quando a humanidade adoecerá calada?

Você é daqueles que, ao final do dia, sente que o tempo foi pouco para o tudo que ainda tinha por fazer, mesmo tendo amanhecido com a cara na tela do celular, quase antes de despertar?

Já se pegou atendendo uma ligação no viva voz para poder continuar mandando ou respondendo mensagem no zap e resolvendo atividades paralelas?

Faz as refeições sem parar de interagir com o aparelho telefônico e as redes sociais?

Termina a jornada altas horas da noite e ainda vai dormir com a sensação de que nem tudo foi resolvido e já chega na cama pensando que começará o amanhã em débito?

Mas, irônica e paradoxalmente, passou a olhar o celular como uma certa rejeição e prefere responder com mensagens de texto do que atender ligação de voz?

Somos cada vez mais desses.

Somos essa geração da urgência, do agora, que se angustia em esperar cinco segundos antes de obter resposta imediata.

Nos chateamos e até despejamos nossa insatisfação contra o “atraso” do que não foi atendido ou respondido instantaneamente.

De tanta coisa e emergência, nutrimos, em silêncio, a demanda de que o dia deveria ter mesmo mais do que as naturais 24 horas.

Mais seis horinhas não fariam mal, não é? Poderíamos ser mais eficientes, produtivos, competitivos e múltiplos…

Nada disso. A escravidão está na mente e pouco adiantariam mais pontinhos no relógio. A lógica perduraria por mais outras centenas de minutos.

“Basta a cada dia o seu próprio mal”, ensina o versículo 34 do capítulo 6 do Livro de Mateus, nos exortando à quietude e nos blindando do inimigo da ansiedade.

Mais cedo ou mais tarde, a humanidade vai cansar e questionar esse modelo esfuziante, que adoece corpos e almas, muitas das quais anônimas, porque sequer podem admitir cansaço, um atestado de fraqueza para a regra da timeline lotada de trabalhos, realizações e sorrisos.

Ainda que forçados. Ainda que, tristemente, infelizes.

Não é de mais tempo que precisamos. É de repensar o que estamos fazendo com ele, nosso maior patrimônio imaterial. Segundos que nunca mais voltam. Estamos cheios de horas e as horas vazias de nós.

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