Bastidores

A ameaça é ele mesmo (por Mary Zaidan)

1 de março de 2020 às 14h41
O vice-presidente Hamilton Mourão acertou na mosca: “Os mares não estão tranquilos porque vídeos são divulgados, redes sociais se incandescem, as pessoas, muitas vezes, não raciocinam sobre aquilo que estão escrevendo e estão discutindo, emoções são colocadas à flor da pele, e parece que nós vivemos num eterno turbilhão. E esse eterno turbilhão tem de ser superado.” Mas o reconhecimento das tormentas cotidianas e a pregação conciliatória feita na sexta-feira para os empresários catarinenses deveriam ser endereçados ao seu chefe.

Os “vídeos divulgados” partiram do celular do presidente da República, que parece estar à beira de um ataque de nervos e não raciocinar sobre o que escreve. Portanto, as chances de ele colaborar para superar esse “eterno turbilhão” são mínimas. É ele quem os inicia e os insufla para, em seguida, se dizer vítima dos turbilhões que cria.

Ainda assim, o comportamento de Bolsonaro nada tem de irracional. Segue um script, não raro semelhante ao adotado pelo ex Lula, com a diferença de usar uma linguagem ainda mais tosca e agressiva.

Não inova nem na escolha dos seus inimigos mortais. Como o petista, elege os mesmos: a imprensa e os políticos. Cabe lembrar como o PT tratava jornalistas não chapas-brancas, tidos como militantes do PIG (Partido da Imprensa Golpista), porco, em inglês. Ou ainda o desacato de Lula ao Congresso de “300 picaretas”, transformados agora em chantagistas na boca do general Augusto Heleno, cujo “foda-se” virou palavra de ordem para a manifestação pró-Bolsonaro prevista para o dia 15.

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