Opinião

A decisão do STJ sobre Ricardo e a temperatura política na Paraíba

19 de fevereiro de 2020 às 10h59 Por Heron Cid
Futuro de Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba, continua sendo incógnita; e essa interrogação pode responder muito sobre 2020

Tão logo a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça bateu o martelo e decidiu manter solto o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, as reações políticas pipocaram.

Aliados do ex-governador receberam a decisão com alívio. O deputado Gervásio Maia, presidente estadual do PSB, considerou que o STJ garantiu que a aplicação das leis brasileiras foi respeitada.

“O país não aguenta mais ver o sentimento de impunidade. Estamos falando de uma investigação que já gravou a voz do próprio Ricardo cobrando propina e pedindo para passar para o irmão (Coriolano)”, bradou o tucano Pedro Cunha Lima, presidente estadual do PSDB.

De um lado, certa cautela. Maia não quis imediatamente faturar politicamente em cima do desfecho do STJ e nem colocar Ricardo de volta ao jogo eleitoral de 2020.

Do outro, a expressão da indignação política de quem esperava punição severa para o acusado de chefiar organização criminosa responsável por desvios milionários, com direito a um réu confesso, o principal operador, Daniel Gomes, o chefão da Cruz Vermelha.

Simpatizantes de Ricardo esperam, discretamente, pela sua reabilitação no xadrez. Coisa aparentemente difícil no momento dado o grau da gravidade do processo que o envolve direta e completamente.

Adversários não escondem o sentimento de frustração e decepção. Uma pelo salvo conduto do STJ e outra porque o acórdão de ontem permite algum fôlego a Coutinho, até então asfixiado pelos efeitos das acusações do MP, de ex-secretários e de delatores.

Tudo isso dá uma noção da temperatura política na Paraíba. Pelos próximos anos, especialmente agora em 2020, ela será inevitavelmente medida pelo termômetro da Operação Calvário.

Vídeo

Heron Cid no Hora H comenta a “indignação seletiva”


Mal cheirosa

Dona Candinha sobre o barulho resistência de setores governistas ao nome de Ricardo Feder para o MEC:

"Vai Feder!"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
E se não for Tovar e nem Bruno em Campina Grande, pelo bloco de Romero?
NÚMERO

1,7 milhão

Número de máscaras protetivas distribuídas pelo Governo da Paraíba, até agora, na pandemia.