Opinião

O novo jornalismo no velho mercado; ou seria o contrário?

15 de fevereiro de 2020 às 12h28 Por Heron Cid
Felipe Moura Brasil, exemplar típico do novo jornalista para o novo jornalismo

Felipe Moura Brasil deixou a direção de jornalismo da Rádio Jovem Pan, uma das mais importantes do Brasil e onde também era apresentador do programa Pingo Nos Is.

Vai provavelmente se dedicar mais ao Antagonista, site de projeção nacional. E terá muitos convites.

No twiiter, o jovem jornalista tem mais de 1 milhão de seguidores. Portanto, se não tivesse um veículo para assinar sua carteira, já tem o próprio canal direto com sua audiência.

Transformar esse alcance em sustentabilidade de negócio são outros quinhentos.

Moura Brasil é o típico exemplar do neo-jornalista, profundamente afetado pelos novos hábitos de consumo de informação. Que se fez conhecido pelo conteúdo multi telas, não necessariamente pela mais poderosa de todas.

Assim como ele, Diogo Mainardi deixou há tempos a Revista Veja. Hoje, escreve semanalmente numa revista própria e sem papel. Fernando Rodrigues, ex-Veja e ex-Folha, pilota o Poder 360.

Leda Nagle, famosa entrevistadora, recebe grandes entrevistados dentro de sua própria casa num estúdio improvisado. E tem público. E pauta.

É o novo jornalista para o novo jornalismo.

Militante teimoso desse admirável mundo recente da integração entre jornalismo, digital e redes sociais, percebo por mim e por feedback de colegas o poder e alcance dessas novas mídias.

Uma notícia postada até por blogs e sites singelos, alguns até amadores, em instantes vira objeto de ligações e repercussões imediatas. Coisa impensável uma década atrás.

Antes, o mercado era totalmente restrito aos veículos de massa. O recém-egresso estudante de Jornalismo só tinha uma expectativa de emprego: os grupos de comunicação.

Hoje, complementado por novas mídias, esse universo se ampliou e é possível existir fora dos até então obrigatórios meios convencionais.

Não que tenha se tornado mais fácil. O terreno de empregabilidade continua sendo escasso e a crise econômica, com demissões continuadas e atrasos em salários, estão aí para assustar.

Mas ainda bem que surgiu, aos trancos e barrancos, esse novo mercado que ajuda a absorver uma mão de obra excedente para uma demanda cada vez mais achatada. Do contrário, onde estariam os repórteres demitidos dos jornais impressos fechados ou de programas de rádio e TV, cada dia mais enxutos?

Os veículos tradicionais deixaram de ser importantes? Não. Continuam essenciais nessa grande engrenagem da comunicação. Especialmente, porque a maioria ainda carrega conceito de credibilidade e detém fatia majoritária da publicidade.

O que mudou, então? O campo das novas possibilidades. Aí está a boa notícia. Se não nasce para todos, o sol desse novo jornalismo abre-se para iluminar mais cabeças.

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