Bastidores

A demonização e a crítica (por Felipe Moura Brasil)

15 de fevereiro de 2020 às 10h29
(Antonio Lucena/VEJA)

A resposta de Sergio Moro aos ataques do socialista Glauber Braga, do PSOL, que o acusou de ser “capanga” das milícias, ilustra como a esquerda é a adversária mais conveniente para o governo de Jair Bolsonaro.

O ministro da Justiça e Segurança Pública lembrou que o PSOL de Braga e Marcelo Freixo foi contra todas as medidas de combate ao crime organizado propostas no projeto de lei anticrime, inclusive a de que “milícias fossem qualificadas expressamente como organizações criminosas”.

Ao tentar atrelar Moro às milícias, em razão de o ministro alegar corretamente que é da polícia fluminense, do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Justiça do estado a responsabilidade sobre o caso de Flávio Bolsonaro, investigado por suspeita de rachadinha no gabinete onde mantinha a mãe e a mulher do miliciano Adriano da Nóbrega, o deputado Braga dá um showzinho para seus 40.199 eleitores (0,52% dos válidos), mas ajuda a tornar caricata a cobrança legítima de explicações sobre a relação do filho 01 do presidente com o ex-capitão que ele homenageou com moção de louvor e medalha na Assembleia Legislativa do Rio e que foi morto recentemente em ação policial na Bahia.

A demonização deslegitima tanto a crítica quanto a cobrança, ainda mais quando vem de quem exalta esquerdistas que pegaram em armas contra o regime militar, como fez Braga com o terrorista Carlos Marighella ao votar contra o impeachment de Dilma Rousseff.

É por isso que essa esquerda viúva da luta armada, sem autoridade moral para posar de combatente da corrupção e da impunidade, só encaixa o discurso para além de seu gueto quando membros do governo incorrem em atos e declarações que reforçam os piores estereótipos sobre liberais ou conservadores. Foi assim quando o então secretário da Cultura, Roberto Alvim, emulou um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler; quando Paulo Guedes chamou funcionários públicos de “parasitas”, sem nem se preocupar com a generalização — e quando o mesmo Guedes disse que o dólar mais alto (R$ 4,35 no dia) é “bom para todo mundo” e que, com a moeda americana mais baixa, “todo mundo” estava indo para a Disney, inclusive “empregada doméstica”. “Todo mundo tem que ir para a Disneylândia conhecer um dia, mas não três, quatro vezes por ano”, declarou o ministro da Economia. Os rótulos de nazista e elitista são, com frequência, usados sem razão para demonizar a direita, mas, quando seus representantes legitimam esses rótulos, haja pano para encobrir o vexame.

Fora isso, as pedras no sapato do governo e da família Bolsonaro, sobretudo da direita flaviana, são mesmo os comunicadores não esquerdistas que – sem deixar de reconhecer acertos das agendas de Guedes e Moro, por exemplo – não compactuam com rachadinha; cobram investigação e coerência; criticam a sanção presidencial de fundão eleitoral de R$ 2 bilhões, da criação do juiz das garantias, os obstáculos à prisão preventiva e limites à delação premiada; e se recusam a colocar no balaio da militância da velha imprensa qualquer notícia incômoda ao poder, como se ele fosse a fonte da verdade oficial.

Esses comunicadores, ah, esses precisam ser fritados e calados.

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