Bastidores

Extremo outroladismo (por Diogo Mainardi)

9 de fevereiro de 2020 às 18h00
O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro é visto com boné que ganhou de apoiadores em Washington - 27/11/2018 (TV Globo/Reprodução)

Eduardo Bolsonaro resolveu virar youtuber. Em seu programa de entrevistas, ele vai receber “políticos, artistas e muito mais”. Cuide-se, Fátima Bernardes.

Ao anunciar seu programa, o filho do presidente prometeu fornecer “informações em primeira mão, sem o filtro de fake news da extrema imprensa”. Entrevistados por ele, os subordinados de seu pai terão a chance de defender o governo de seu pai. Como é que o jornalismo ainda não havia pensado nisso?

É uma tara dos bolsonaristas: eles consideram que só depoimentos públicos e notas oficiais, emitidos diretamente pelas fontes, “sem o filtro da imprensa”, refletem a verdade. É o outroladismo da Folha de S.Paulo levado ao extremo: o extremo outroladismo.

Na semana passada, o general Augusto Heleno comentou:

“Cruzoé inventou um dossiê e um estremecimento meu com o Min Onix. Que fontes mentirosas. Que falta de profissionalismo. São incapazes de fazer contato com os citados.”

Com grande profissionalismo, o general Augusto Heleno errou tanto o nome do pobre Robinson Crusoé quanto o nome do pobre Onyx Lorenzoni. Bem mais relevante do que isso, porém, é o desatino caudilhesco de imaginar que a imprensa possa reproduzir apenas o que as fontes declaram publicamente, e não o que elas fazem (ou sussurram) nas coxias palacianas.

É claro que a imprensa erra. É claro também que seus erros devem ser desmascarados. Eu, por exemplo, errei brutalmente nas primeiras semanas de governo, caindo na conversa de que o general Augusto Heleno e seus colegas de farda poderiam impedir os voos mais aloprados do bolsonarismo. Enganei-me. Quebrei a cara.

Na semana passada, Jair Bolsonaro especulou sobre a hipótese de transferir todos os brasileiros para o Japão e todos os japoneses para o Brasil. Pode ser uma boa medida. Só não entendi o que ele pretende fazer com a jornalista Thaís Oyama, autora de sua biografia não autorizada. Seja como for, os militares governistas anteciparam-se à japonização forçada e resolveram praticar harakiri.

Crusoé

Vídeo

Meu comentário na Hora H: “Coronavírus lá fora e o efeito dentro da gente”


Os próximos 9 meses

Assanhada, Dona Candinha diz que nem tudo é privação e saiu-se com essa:

"Vêm aí os filhos da quarentena!"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
Na roleta russa lançada, quem vai arriscar sair de casa?
NÚMERO

240 mortes

Levantamento os casos do Brasil no último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, na noite desta quarta-feira.