Opinião

O cálculo político da Câmara e a ‘sorte’ de Wilson

6 de fevereiro de 2020 às 10h44 Por Heron Cid
Plenário da Câmara dos Deputados (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O Congresso Nacional vive em fluxos e refluxos. Ora tem rompantes de assepsia, ora de autoproteção.

O segundo movimento é o mais forte nesse momento. E ele é capaz de unir partidos do centro, como DEM e PSD, aos da esquerda, PT e PCdoB.

Foi esse sentimento que preservou ontem o mandato do deputado paraibano Wilson Santiago, afastado por decisão monocrática do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal.

Apesar das boas relações em Brasília, a decisão folgada foi muito menos em prol do petebista e muito mais em torno da própria Casa.

Na era das operações contra políticos, parlamentares blindam as prerrogativas ameaçadas pela onda de punição e protagonismo do Judiciário.

Por isso, era comum ouvir ontem de deputados que a decisão seria paradigmática. Ou freavam essa possibilidade de afastamento sumário, antes de julgamento, ou daqui a pouco a exceção viraria a regra.

O voto, portanto, era de autodefesa coletiva.

Wilson teve sorte e foi bafejado pela tendência atual do Parlamento de exercer seu poder ao máximo e de não abrir mão de sua autonomia.

No cálculo da maioria, antes sair mal na fita do que sair da cadeira.

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