Opinião

Alta voltagem: o choque entre MP e TCE

16 de janeiro de 2020 às 12h51 Por Heron Cid

O atrito público e em elevada temperatura entre o Gaeco e o Tribunal de Contas do Estado não é o primeiro.

A demonstração inaugural se deu quando André Carlo Torres, hoje um dos investigados, ainda era o presidente da Corte.

À época, o conselheiro reagiu contra suspeitas levantadas e pedidos de informações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado em relação a atuação do Tribunal no caso da liminar que suspendeu o processo do Pátio Shopping Intermares.

No revide, Octávio Paulo Neto, chefe do Gaeco paraibano, revidou com palavras premonitórias: “É natural vê-lo nesse estado psicológico”.

O curto-circuitou agora tem como ponto de eletricidade a Operação Calvário, que investiga a atuação colaborativa de conselheiros do TCE nas ações da Cruz Vermelha e agentes políticos da Paraíba.

Denúncia do MP protocolada no Tribunal de Justiça retrata o órgão de contas como um instrumento usado para “encobrir práticas criminosas”.

A divergência veio do conselheiro Arnóbio Viana, presidente do TCE, ao dizer, em entrevista ao Portal MaisPB, que pessoas precisam ser separadas de instituições.

Criticou o termo genérico adotado pela peça acusatória e citou como parâmetro o exemplo da Igreja. “Se padres cometem crimes, o crime não é da Igreja é dos padres”.

Traduzindo o raciocínio: investigados precisam responder pelas acusações. Os suspeitos de crimes são conselheiros, não o Tribunal.

Na réplica, em mensagem ao Blog do jornalista Suetoni Souto Maior, do site Jornal da Paraíba, Paulo Neto cobrou cooperação do Tribunal na averiguação das suspeitas em vez de o presidente “ficar com uma narrativa infantil”.

Um confronto em alta voltagem. Não é o primeiro e, certamente, não será o último. Com grandes riscos de eletrocussão…

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