Opinião

A denúncia do MP e a política transformada em ‘negócio’

14 de janeiro de 2020 às 14h36 Por Heron Cid
Imagens da TV Globo no dia da deflagração da Operação Calvário no Rio de Janeiro; o primeiro dia do Apocalipse que viria à Paraíba

Das 223 páginas da longa denúncia do Ministério Público contra o ex-governador Ricardo Coutinho e mais 34 pessoas, a palavra propina aparece 259 vezes no texto.

Está no topo de uma lista que ainda constam poder (113), organização (73corrupção (21), crime (21) e desvios (13).

O relato, depois de investigação de um ano, trata os denunciados como ‘organização criminosa’ responsável por atos sincronizados e permanentes de “corrupção sistêmica”.

Um “modelo de governança corrupta”, no dizer dos investigadores do Ministério Público, com o objetivo de promover “a perpetuação de poder”, “estabilização financeira” e o “enriquecimento ilícito”.

Essa última expressão manda para os ares o romantismo de alguns militantes ainda esperançosos de que os meios (desvios) pudessem justificar os fins da manutenção do “projeto” socialista.

A denúncia mostra outra coisa totalmente diferente. Os superfaturamentos e fraudes tinham objetivo de financiar eleição e também enriquecer o CPF de agentes políticos.

“O grupo foi pródigo em instituir mecanismos para apropriação de verbas públicas”, diz o Gaeco, acrescentando, em tom de crítica, que tudo só foi possível diante do “silêncio obsequioso dos órgãos de controle estaduais”.

Aqui, o endereço é o TCE, cujas auditorias sempre alertaram para o mal cheiro que vinha da Cruz Vermelha no Hospital de Trauma, e nada foi feito para barrar.

Mas esse apontamento do Gaeco não tem destinatário único. Outros órgãos institucionais, incluindo o MP e o Judiciário, foram, no mínimo, omissos ou lenientes.

Para dominar instituições que poderiam ser pedra no caminho, o grupo denunciado usou duas estratégias principais, conforme diz a investigação: intimidação e infiltração nas esferas de poder.

Deu certo por oito anos. Até que em 14 de dezembro de 2018 o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Civil deflagraram a Operação Calvário contra desvios de R$ 15 milhões na saúde do estado carioca.

Lá, não demoraram a descobrir que a ação de Daniel Gomes, chefe do esquema da Cruz Vermelha no Rio, era fichinha diante da sua incursão delituosa na pobre Paraíba.

O resto veio em efeito cascata. Todas as fases conduzidas pelo Gaeco paraibano foram revelando o que está sintetizado na denúncia protocolada, ontem.

A política virou apenas um instrumento de um modelo de negócio para um grupo que chegou ao poder prometendo instalar um governo republicano.

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