Opinião

Ricardo, Lígia, Daniel e a verdade

4 de janeiro de 2020 às 09h38 Por Heron Cid

Há duas histórias. A real e a contada. A que foi contada à Paraíba desenhou um governo absolutamente exitoso e principalmente probo e um líder que, de tão desprendido de qualquer apego ao poder, ficou até o fim no cargo e abdicou da natural disputa ao Senado por “amor” ao “projeto”.

A história real, porém, vem chegando a conta-gotas, fruto amargo da delação de um tosco personagem chamado Daniel Gomes, o lobista e operador da Cruz Vermelha. Na história contada, a salvadora da saúde paraibana. Na história real, um bando formado por contraventores, sugadores do dinheiro público e distribuidores de propina.

De tanta intimidade e frequência de conversas, o jovem carioca gravou o então governador Ricardo Coutinho durante, nada mais nada menos, oito anos. E essas gravações vão de acertos de repasses financeiros à amenidades e a até avaliações políticas, como a que flagrou o ‘socialista’ divagando com Daniel sobre a decisão de não deixar o governo, em abril de 2018.

A história contada aos paraibanos diz que o fantástico “fico” era para garantir o ‘projeto’ e seus resultados positivos. A história real revela outra coisa. Coutinho só deixava o governo se pudesse ter o controle total e irrestrito do Palácio, da Granja, das finanças e do primeiro escalão. Ele diz isso com sua própria boca, conforme áudio publicado, para quem quiser tirar a dúvida, no site ParlamentoPB, da jornalista Cláudia Carvalho.

Como não encontrou nenhum “instrumento”, no dizer dele na gravação, que amarrasse a vice Lígia Feliciano (PDT) e seus eventuais atos de governo, o líder máximo girassol não se sentiu motivado e nem seguro para passar o bastão. Só valia a pena se ouvisse dela a garantia de subordinação total e de renúncia de candidatura à reeleição, o que nunca ouviu nem pessoalmente e nem na imprensa.

Entre as contações e o real, as gravações vão mostrando Ricardos completamente distintos. Em público, um republicano. No privado, um político afeito à incontroláveis tirania e absolutismo e com diálogo e posturas iguais ou piores aos que sempre disse combater a vida inteira.

Está claro como a luz do sol que nasce primeiro em João Pessoa. Ele não renunciou o poder de senador. Apenas o trocou pelo desejo de permanecer governando por procuração, no que errou no cálculo e João Azevêdo assumiu o cargo em sua plenitude.

Ainda contabilizou, na decisão, o bônus de ser lembrado na posteridade pelo sublime e elevado gesto de grandeza política. Nesse caso, a verdade nem demorou a chegar. Ela veio à galope e a narrativa construída só durou até a gravação do submundo emergir.

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