Opinião

A coletiva de João, o mínimo e o máximo

23 de dezembro de 2019 às 13h18 Por Heron Cid

Tão logo foi marcada ontem a entrevista coletiva do governador João Azevêdo, uma coisa já era certa; o tom e o conteúdo dela diriam o destino do seu governo depois dos estilhaços da nova fase da Operação Calvário.

O que ele diria ditaria se o seu iniciado governo morreria ou sobreviveria aos estragos e intempéries provocadas pelas denúncias apresentadas pelo Ministério Público e acatadas pela Justiça, com potente arcabouço de provas materiais.

E a abordagem de João Azevêdo, hoje, diante de perguntas de repórteres dos mais variados veículos, à luz do dia e no Palácio da Redenção, consegue manter o governo de pé em meio ao vendaval que ameaça a governabilidade e colocou o governador também na obrigação de se explicar.

Para a ocasião totalmente desconfortável, Azevêdo se saiu bem. Foi convincente, sereno e firme e não fugiu das obrigatórias e necessárias explicações públicas, entre elas, refutando as legítimas suspeitas levantadas sobre se o tal projeto de “continuidade” também incluiria o esquema de sangria da saúde pública paraibana.

“Eu nunca vi esse cidadão”, cravou João sobre Daniel Gomes, o operador do esquema, dono de mais de mil horas de gravação pessoal, olho no olho, com o então governador Ricardo Coutinho.

Um trecho da delação da ex-secretária Livânia Farias, divulgado hoje pela TV Cabo Branco, corrobora. Ela diz, em vídeo, que foi perguntada por Daniel Gomes se deveria procurar o já eleito governador João Azevêdo para tratar da manutenção dos contratos. Livânia diz que desaconselhou o lobista com a seguinte frase: “Ele não é simpático a OS na saúde”.

O governador também enfrentou outro tema pra lá de indigesto: o financiamento da campanha de 2018, cujos recursos o Ministério Público e o delator Daniel Gomes afirmam ter vindo também dos desvios via organizações sociais.

Azevêdo afirmou textualmente desconhecer esse movimento de bastidores porque exerceu na sua eleição um único papel na plenitude, o de candidato que “rodou dois mil quilômetros pelo Estado”.

Em outras palavras, João está afirmando que passou longe da estrutura financeira e operacional do PSB, o que, mesmo sendo verdade, não o livra sua campanha da condição de beneficiária dos recursos, um efeito colateral que, mais cedo ou mais tarde, precisará enfrentar no terreno jurídico.

Mas o que fica de concreto e palpável da entrevista, e de maior interesse público, é a nova providência adotada quanto ao funcionamento de hospitais estaduais.

A decisão de encerrar, de uma vez por todas, os contratos com as famigeradas OS’s, um modelo de governança da saúde que adoeceu, é o mínimo que os paraibanos esperavam diante do máximo de malfeitos com um dinheiro que deveria ser para salvar vidas e bancou, além de propinas, até ingressos de shows. Deprimente espetáculo.

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