Opinião

Pela porta dos fundos do Palácio da Redenção

28 de novembro de 2019 às 13h19 Por Heron Cid

Já percebeu que os recém demitidos pelo governador João Azevêdo (PSB) têm um ponto de contato, além da ligação direta com o ex-governador Ricardo Coutinho?

Qual é? O discurso comum na hora da despedida forçada dos cargos.

Todos os que estão sendo aqui e acolá dispensados, e são poucos a julgar pelo tamanho expressivo da fatia emplacada pelo antecessor junto a João, repetem a mesma coisa.

Invariavelmente, se dizem traídos pelo governador e acusam a desfiguração do “projeto”, o sinônimo de Ricardo Coutinho. Mas só assim falam e procedem depois do carimbo de demitido no Diário Oficial do Estado.

Se discordavam da postura do atual governador, se viam deturpações administrativas ou desvios dos compromissos públicos de campanha, por que ainda permaneciam nas estruturas do poder?

Por apego aos cargos ou por senso de propriedade?

Vamos às duas hipóteses.

A primeira atropela o espírito público e o discurso de voluntarismo de quem serve ao Estado para formular políticas públicas que, em tese, estão acima de pessoas, de nomes.

A segunda lembra o processo de rompimento de 2012 com Luciano Agra. Mesmo abertamente contrários ao então prefeito, secretários – servidores públicos em última instância (ainda que comissionados) – mantinham-se nos cargos e não os entregavam.

Devidamente orientados e estimulados, se portavam como donos de espaços de gestão pelo fato de terem votado e apoiado “o projeto”. Assim, desafiavam e desprezavam a autoridade do chefe imediato em obediência e reverência ao patrono da indicação. Não pode existir uma visão política mais conservadora e patrimonialista do que essa…

Aos verdadeiramente divergentes de um modo de pensar ou de um modelo de governo, a dignidade sempre recomenda o ato particular do pedido de demissão como o maior e mais expressivo sinal de legítima, corajosa e altiva discordância.

Mas, na política, há sempre quem prefira sair pela porta dos fundos.

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