Opinião

Lena morreu como viveu: lutando!

18 de novembro de 2019 às 11h03 Por Heron Cid
Lena Guimarães, jornalista, mulher, sertaneja, vencedora

De ou com Lena Guimarães, muito jornalista tem uma história para contar. Quem passou pelo Correio da Paraíba, principalmente. Quem teve a sorte de tê-la como chefe, ainda mais.

Eu estou nessa lista e mereci dela muitos gestos de estímulo e torcida. Mas muito antes de ganhar alguma projeção no meio jornalístico.

Repórter do Correio Debate, na Rádio Correio, em começo de carreira, recebi de Lena, no auge de sua carreira, força e influência, várias demonstrações de incentivo.

Quando era convocado por Josival Pereira para ajudar com alguma matéria a fechar o caderno de política, na própria redação ou no outro dia, havia sempre uma palavra de carinho ao menino recém-egresso da UFPB.

Depois, quis o destino, nos juntar no mesmo jornal na missão de articulistas políticos, pós sua saída da Secretaria de Comunicação do Estado.

Ela, uma professora, eu, um incipiente aprendiz. Ela, na vitrine principal, e, eu – como diz Rubens Nóbrega – na coluna por trás da porta.

O carinho e o respeito só aumentaram. Admiração que gerou o hábito de mandar mensagem para cumprimentá-la a cada lúcido artigo, textos enxutos e sempre recheado de informações e dados.

Lena era uma repórter na essência. Colecionava dados, anotava tudo e sempre tinha um arsenal à sua disposição para ilustrar seus raciocínios diários e presentear sua legião de leitores.

Das lembranças que guardo, a mais tocante. Sempre ao final do Rede Debate, na extinta RCTV, apresentado por Hermes de Luna, saíamos Lena e eu dos estúdios e conversávamos por horas na calçada do Correio.

Um aprendizado. Num desses dias, a jornalista que saiu de Cajazeiras para estabelecer seu nome em João Pessoa contou situações delicadas e pessoais. O preconceito e o machismo tentaram reter seu talento inescondível no jornalismo.

Barreiras que lhe impuseram escolhas para superar, vencer e se afirmar com seus próprios pés, passando por cima de descrenças e limitações.

A sua trajetória vitoriosa no jornalismo é resultado do seu mérito, da sua incrível força de trabalho, da sua dedicação sacerdotal à comunicação, o ofício que tanto respeitava, valorizava e defendia.

Da última vez que nos vimos, lá estava ela, com o corpo visivelmente fragilizado pelo tratamento, mas de sorriso nos lábios, espinha ereta e o olhar de quem não desiste nunca.

O símbolo de força e exemplo que ficam de uma mulher, sertaneja, mãe, vencedora, que não se entregou e nem se rendeu às pedras no caminho.

A vida de Lena é uma lição. Uma história inspiradora que nem mesmo sua prematura morte e o câncer devastador apagarão da nossa imprensa paraibana.

Destemida e antes de tudo uma forte, tal qual descreveu Euclides da Cunha, ela morreu como viveu a sua vida inteira: lutando!

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