Opinião

Em Campina Grande, Bolsonaro acena ao Nordeste

11 de novembro de 2019 às 21h13 Por Heron Cid
Jair Bolsonaro durante entrega de casas em Campina Grande; novo cenário obriga presidente a desobstruir relação com a região

Três dias depois da saída do ex-presidente Lula da prisão, a agenda do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não poderia ter sido em cidade mais emblemática; Campina Grande, uma das mais importantes do Interior do Nordeste, região na qual o PT desfruta de grande prestígio eleitoral.

A solenidade de entrega do Complexo Aluísio Campos caiu como uma luva. E Bolsonaro soube usar e abusar da coincidência ao acenar para os nordestinos, um nicho eleitoral que ainda apresenta conhecidas resistências ao bolsonarismo.

Encontrou em Campina Grande, cidade com tradições liberais e de direita, um terreno fértil. Afinal, lá ele venceu nos dois turnos. Aliás, a esquerda tem histórica dificuldade de penetrar na terra dos tropeiros da Borborema, um povo vocacionado à atividade produtiva e, portanto, mais independente.

No seu discurso, o presidente anunciou a chegada de “vultosos” investimentos privados, resultado de suas viagens internacionais, e que parte desse aporte desembarcará no Nordeste.

“Não há como falar no futuro do Brasil, sem falar no Nordeste”, lapidou Bolsonaro, encerrando posteriormente o pronunciamento chamando os nordestinos de “irmãos”.

Na fala, afagos bem humorados a políticos da cidade. Citou nominalmente um a um e elencou passagens de convivência na vida parlamentar em Brasília. Bem ao estilo do que defendeu recentemente, em entrevista ao Blog, o novo líder do governo, senador Eduardo Gomes (MDB).

Os gestos de Bolsonaro em Campina Grande demonstram, na prática, a tese da intenção de desobstruir a tensa relação com o Nordeste. Com a volta de Lula ao front, essa intenção agora é uma necessidade eleitoral estratégica. Dividir o território em que o PT reina quase sozinho.

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"Vai Feder!"
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NÚMERO

20%

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