Opinião

Glenn versus Augusto; o jornalismo em tempos de cólera

7 de novembro de 2019 às 16h35 Por Heron Cid
Chamado de covarde, jornalista da Jovem Pan parte para agressão física; a cena é ilustrativa de um tempo que a força virou o argumento

A agressão física por si só é comportamento deplorável. A verbal não menos. Aliás, essa última costuma puxar a primeira. A que se viu hoje entre dois famosos jornalistas, ditos cultos e educados, é ainda mais lastimável.

Pelos protagonistas e pelas motivações.

Se tinha alguma razão no debate travado nos microfones da Rádio Jovem Pan, Augusto Nunes perdeu quando trocou o argumento pelo braço.

A troca de sopapos, ao vivo, foi deplorável e representa, da pior forma possível, o fundo do poço que chegamos nesse Brasil de tanta histeria e radicalismo.

Um extremismo que vem contaminando também o jornalismo, ou a parte dele seduzida pela tentação e apelo do público que espera, reivindica e cobra do jornalista que se tome um lado nessa “guerra”.

Os dois ‘gladiadores’ exemplificam isso.

No seu programa de rádio, Nunes trata o ex-presidente Lula de presidiário Lula, com indisfarçável desprezo e deboche, e chama a presidente nacional do PT do codinome de “Amante”, só pra ficar em duas pérolas preferidas dele.

Glenn Greenwald, aclamado convenientemente pela esquerda, fez do seu The Intercept um instrumento para uma reportagem, baseada em hackeamento, contra os métodos da Lava Jato.

Nada demais se o ímpeto investigativo não fosse seletivíssimo. Não se tem notícia de uma linha escrita pelo site inglês sobre a engrenagem de corrupção na Petrobrás.

Ou o que foi descoberto não daria uma grande reportagem para um veículo sério e com alcance internacional?

São dois profissionais que, a despeito de suas qualidades técnicas, entraram nessa onda que arrasta o jornalismo a esse pobre porão ideológico insano, engajado, caolho e, portanto, deficiente.

A briga dos jornalistas, assistida na arena real pelo público, é a ilustração mais verossímel da temperatura do país e do espírito que move um Brasil a se dividir pelo ódio, a pior e mais melancólico forma possível.

Tem muito Glenn e Augusto espumando país afora. São tempos de cólera que atingem até quem deveria, por ofício, ser o ponto de equilíbrio em meio ao fundamentalismo.

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