Bastidores

Finalmente, Lula livre (por Ricardo Noblat)

7 de novembro de 2019 às 22h04
Ex-presidente Lula pode sair da cadeia (Antonio Lucena/VEJA)
A primeira perna de Lula saiu do cárcere de Curitiba com a decisão da Justiça de que ele cumprira um oitavo da pena a que fora condenado e ganhara o direito ao regime de prisão semiaberto, podendo trabalhar durante o dia, recolhendo-se à noite à cadeia.

Sem tornozeleira eletrônica, sem nada, saiu a segunda perna e Lula irá para casa com a decisão tomada, há pouco, pelo Supremo Tribunal Federal, que restabeleceu o entendimento de que réu só pode ser preso depois que a sentença transitar em julgado.

Resta saber qual Lula, em breve, cumprido os trâmites que faltam, se reapresentará ao país. Será o Lulinha paz e amor que se elegeu presidente em 2002? Será a jararaca cuja cabeça não foi esmagada como ele disse? Ou uma mistura do Lulinha com a jararaca?

Na semana passada, à deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, Lula comparou-se a Nelson Mandela para dizer: “Mandela entrou nervoso na cadeia e saiu calmo. Eu entrei calmo e sairei nervoso”. Comparação imprópria, convenhamos.

O certo é que a libertação de Lula está destinada a provocar um forte impacto na política brasileira. Tanto mais porque em 10 meses de governo, a oposição não produziu um único líder à altura do presidente Jair Bolsonaro. Lula ocupará esse espaço.

Ele foi para a cadeia em março do ano passado como líder das pesquisas de intenção de voto. Manteve-se como líder até final de agosto. Só deixou de ser quando seu nome foi retirado das pesquisas, dando lugar ao do ex-ministro Fernando Haddad.

As próximas pesquisas dirão quanto de capital político Lula reteve. Não será impossível que cerca de 30% dos brasileiros ainda admitam votar nele, algo equivalente aos 32% que se mantêm fiéis a Bolsonaro. Mas uma coisa é Lula preso, outra, ele livre.

Uma coisa é Lulinha paz e amor, moderado, a cortejar a esquerda para além do PT, o centro e até mesmo parte da direita menos extremada. Outra é Lula incendiário, à procura do tempo perdido, disposto a vingar-se dos que o trancaram em Curitiba.

O mínimo do bom senso recomenda que Lula comporte-se como o moderado que sempre foi desde que emergiu como líder à época das greves dos metalúrgicos na região do ABC paulista nos últimos anos 80. Mas, quem sabe? Quem se arrisca a apostar?

Lula é um animal ferido. Acha que lhe roubaram a chance de voltar a presidir o país. E guarda mágoas profundas das elites que ganharam muito dinheiro durante seus governos, mas que depois o abandonaram para salvar a própria pele. Ele as perdoará?

Bolsonaro clama aos céus para doravante enfrentar a jararaca. Em matéria de peçonha e de chocalho, ele é tão bom quanto ela.

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