Bastidores

De quem é essa voz sertaneja e socialista crítica à política e à academia?

6 de novembro de 2019 às 12h31
De Pombal, Pollyana Dutra ecoa uma voz que pertence a muito sertanejo, trabalhador por natureza, inconformado com as esmolas do poder

Pollyanna Dutra, deputada estadual do PSB, tem uma história para contar do tempo que governou, por oito anos, do município de Pombal, encravado no Alto Sertão da Paraíba. Hoje, na Assembleia, ela conta experiências que fez sua premiada gestão chegar até à ONU.

Ontem, na Semana Estadual do Empreendedorismo, na Uninassau em João Pessoa, ela repetiu um discurso que entoou, com ousadia, na audiência pública realizada em Marizópolis, minha terra natal, que discutiu desenvolvimento integrado, em agosto passado.

Contou a história de um grupo de mulheres da zona rural que procuraram a então prefeita pedindo um forno para assar bolos. Poderia ter sido para a prefeitura pagar uma conta de luz ou uma feira. Não, as mulheres já estavam ajudando os maridos na provisão do lar, mas, sem condições adequadas, produziam pouco e queimavam os braços em precários fornos à lenha.

A decisão de não só viabilizar um forno de alta capacidade, como de implantar uma padaria inteira, além de capacitar essas mulheres, mudou a vida delas. Trouxe cidadania de imediato e renda de bônus.

Pollyanna, que viveu essa história, tem autoridade pessoal para fazer a necessária provocação que fez ontem, sobre o abandono, por anos a fio, da população interiorana, notadamente a sertaneja. Um processo que levou muita gente a se acostumar a trocar a dignidade por favores, o voto por benefícios efêmeros. Isto é, aqueles que não migraram.

O debate sobre desenvolvimento é tão humano quanto econômico. E a nossa política – como lembra a deputada – por séculos ignorou e negou isso aos sertanejos, vistos e ferrados como gado, presos nos currais (eleitorais e de subdesenvolvimento).

“Onde estava a política? Onde estava a academia, as universidades públicas, pagas com nosso dinheiro, para trazer respostas a esse povo invisível”? Indaga, criticamente, Pollyanna, deputada socialista do PSB e ex-petista.

Às perguntas da ex-prefeita, apenas uma atualização para o tempo presente.

Onde está a política, onde está academia, e a produção do conhecimento que permanece insuficiente para transformar, libertar e dignificar a vida de pequenos produtores e empreendedores? Essa é uma gente que não quer esmolas. São aos montes pessoas que só precisam de uma chance. Tão somente uma oportunidade.

No baião Vozes da Seca, com letra de Zé Dantas, Luiz Gonzaga cantou: “Mas doutor uma esmola/ A um homem que é são/ Ou lhe mata de vergonha/ Ou vicia o cidadão”.

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