Bastidores

Lula livre, e nervoso (por Ricardo Noblat)

4 de novembro de 2019 às 17h18
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Paulo Whitaker/Reuters)

Na mais recente conversa que teve com ele em Curitiba, a deputada Gleisi Hoffman, presidente do PT, ouviu de Lula:

– Mandela entrou nervoso na cadeia e saiu calmo. Eu entrei calmo e sairei nervoso.

Lula costuma comparar-se ao primeiro presidente da África do Sul livre do Apartheid, o regime racista estabelecido no país em 1948 em que uma minoria branca mandava na maioria negra.

Mas há, entre eles, mais diferenças do que semelhanças. A principal: Mandela passou 27 anos na cadeia como preso político. Lula está preso há 600 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ao ser libertado, Mandela fez um famoso discurso onde declarou seu compromisso com a paz e a reconciliação com a minoria branca. E assim procedeu até o último dia de sua vida.

O Supremo Tribunal Federal retomará nesta quinta-feira o julgamento sobre a prisão em segunda instância. Como faltam votar quatro ministros, o resultado ficará para a próxima semana.

Se por 6 votos contra 5, como se espera, o tribunal acabar com a prisão em segunda instância, Lula poderá ir para casa sem direito a candidatar-se a coisa alguma porque é um ficha suja.

A restauração dos seus direitos políticos só será possível se o tribunal, em data ainda não marcada, anular a decisão de Sérgio Moro que o condenou no caso do tríplex do Guarujá.

Lula prefere continuar preso até lá e tem hospedagem já garantida em Curitiba pela primeira instância da Justiça. Resta-lhe, assim, algum tempo para avaliar se o melhor será sair nervoso ou calmo.

Torce o presidente Jair Bolsonaro para que saia nervoso. Bolsonaro e seus filhos precisam de um adversário à altura para ajudá-los a radicalizar ainda mais o clima político do país.

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