Opinião

A solidão da “opinião livre”

3 de novembro de 2019 às 15h58 Por Heron Cid

Domingo é dia mais do que propício a reflexões. Essa abaixo e em vídeo é do veterano ator Carlos Vereza. Lúcida e contemporânea.

Ele fala sobre a polarização lulismo versus bolsonarismo. Uma dicotomia histérica, porque é mais grito do que argumento, e estéril, porque não gera nada e nem responde aos desafios do dia-dia dos brasileiros.

A resposta a um extremo não pode ser o outro extremo. A uma camisa de um “deus” não deveria ser estampar no peito a de “outro”. Isso não é razão. É instinto. Perto do primitivo, inclusive.

O que se vê nas ruas e nas redes são pessoas ensandecidas, das com pouco estudo às ditas acadêmicas, que se autointitulam cultas ou intelectuais. O exemplo típico de que nem sempre formação significa educação e que título também não é sinônimo de sabedoria ou inteligência.

As pessoas estão cheias de ódio, ciosas de que estão sempre com razão e que lutam como o bem contra o mal. Nem se dão conta que às vezes o mal está dentro de si, não em frente a elas ou diante da tela.

Quando amanhece o dia despejando ataques, quando procura o que vomitar contra quem acha que precisa ser combatido, quando atira e desqualifica só por um incontrolável prazer, quem disse que você está fazendo “sua parte” para um “mundo melhor”?

Se isso te faz sentir superior e mais “cidadão respeitável”, tal cantava Raul Seixas, s final do dia tem a sensação de missão cumprida, repense.

Com todas as diferenças, o outro tem muito de nós. E nós temos muito do outro. E esse “outro” não é figura abstrata, é gente humana, que tem sonhos, frustrações e família.

Então, pergunte-se: até onde esse ódio, esse desamor mútuo nos levará?

Como diz Vereza, no Brasil de hoje, quem se esforça para exercer “uma opinião livre”, “desfanatizada”, está cada vez mais solitário.

Vídeo

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