Opinião

Globo não é santa, Bolsonaro não é diabo; inverso também é verdade

31 de outubro de 2019 às 14h08 Por Heron Cid

Nenhum presidente da República abriu uma artilharia tão forte contra um veículo de comunicação quanto Jair Bolsonaro.

O presidente reage às informações que lhe são desfavoráveis com uma regra repetida; ataques e desqualificação à imprensa, de preferência contra as empresas da família Marinho.

O caso do depoimento do porteiro que envolveu o presidente na investigação do Caso Marielle é o confronto da vez.

Um dia depois, o próprio Ministério Público tratou como inverossímel a afirmação do depoente.

A TV não mentiu. O porteiro, esse sim, mentiu, assegura o MP.

A Globo, portanto, divulgou uma informação verdadeira. O porteiro e o depoimento existiam. A verdade do conteúdo somente a investigação aprofundada poderia classificar.

O presidente, como é de praxe, cuspiu fogo. Tinha razão em se defender com veemência e afastar qualquer suspeita. Perdeu-a quando saiu da explicação para a chantagem pública contra emissora, até com ameaça de cancelamento de concessão.

A Globo tinha a opção editorial de divulgar o material ou não. Em atrito com Bolsonaro, escolheu revelar a informação apurada. Consciente, óbvio, dos estragos que a notícia causaria. Estragos que não duraram 24 horas.

Bolsonaro repete, com carga mais pesada, o que o PT fizera, em passado bem recente, com o jornalismo e também com a Globo.

Todos lembram que o partido ameaçava a regulação da mídia, sempre que alguma cobertura criava dificuldades ao projeto de poder da sigla.

Essa briga de gato e rato entre Bolsonaro e a Globo não pode ser reduzida ao maniqueísmo vigente nesse Brasil de agora.

Não tem aí o bem contra o mal, nem santos e nem diabos. Parece o caso dos dois lados que exageram na dose.

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