Opinião

A disputa de narrativas já faz a primeira vítima

28 de outubro de 2019 às 12h31 Por Heron Cid
PSB e Governo andam em caminhos opostos; boicote partidário agora chega à gestão

A conflagração entre PSB e governo chegou ao nível da irreversibilidade. Na prática, resta apenas a disputa pelas narrativas de quem é a vítima e qual é o nome do algoz. Nada mais.

Essa contenda é que move, nesse instante, os dois lados. Grupos agora antagônicos se esforçam, com gestos e retórica, para botar o rompimento na conta do outro.

Na política, o papel de vítima é sempre o que mais dá terreno para discursos e plataformas. Todo político quer ele para sensibilizar, comover e acusar.

O ricardismo não quer assinar o divórcio, apesar da crise ter se originado nessa ala, ao optar por arrebatar o comando do PSB, via vertical e cartorial, com um traumático processo de intervenção.

O bloco de João, o governador que nomeou praticamente todo o governo com nomes do ‘projeto’, a palavra política e conceitual que traduz Ricardo Coutinho, também não quer dá margem e nem assumir o figurino de promotores do racha.

Essa guerra fria retarda o desfecho e coloca em frisson a classe política que circunda ambos de perto e a que acompanha o enfrentamento de longe, a oposição.

Os últimos fatos, entretanto, esticaram a corda e a tensão ao máximo. O governador já é açoitado pública e reiteradamente, via terceiros.

Se antes a questão era apenas partidária, agora o boicote chegou às raias da gestão, vide o episódio do “nego” às emendas ao Estado por parte do deputado Gervásio Maia.

Nesse caso, já se conhece, antes do fim, a vítima principal: a Paraíba, alvo colateral de uma guerra oriunda da vaidade e da impossibilidade de se conviver no PSB com mais de um líder. E o culpado também.

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