Opinião

A distensão deflagrada por João e o reflexo na gestão

24 de outubro de 2019 às 06h35 Por Heron Cid
Governador João Azevêdo em uma das reuniões com deputados e senadores da Paraíba

(BRASÍLIA) – A Paraíba tem sabidas limitações de arrecadação, históricas até. Diferente de estados com economias próprias mais pujantes, o incremento de recursos federais não é opcional. A relação institucional e captação dessas verbas também não.

Há um ano, o governador João Azevêdo segue na prática essa compreensão. Desde quando eleito, nos estertores de 2018 o socialista buscou contato direto, sem intermediários, com a bancada federal, sobre quem repousa o direito de destinar, alocar e empenhar aproximadamente R$ 250 milhões via emendas.

Este ano, foram inúmeras agendas individuais com parlamentares e pelo menos dois encontros oficiais com a bancada reunida. Olho no olho, frente e a frente, mão a mão, Azevêdo apresenta prioridades do Estado e faz o apelo a cada um e em grupo.

Incorpora-se aí dois ganhos: o administrativo, com recursos na ponta para serem aplicados em obras e custeio; o político, com abertura de canal de diálogo com todos os deputados e senadores paraibanos, a maioria presidentes de partidos de variadas matizes, canal até então com conhecidas obstruções.

Uma interação que permite passear entre gabinetes de aliados, como Hugo Motta e Damião Feliciano, e bater à porta de antagonistas, como Julian Lemos e Ruy Carneiro, para citar apenas dois.

Aqui em Brasília, parlamentares deram esses depoimentos e até adversários admitiram a mudança e o resultado positivo prático dessa postura. Um resultado que se mede em cifras. Entre 2019 e 2020, a pesca por emendas renderá, na projeção do coordenador da bancada federal, Efraim Filho, algo em torno de R$ 100 milhões a mais para os cofres do erário paraibano.

O intercâmbio direto, sem intermediários, é insubstituível. É, antes de tudo, atitude de cumprir o dever do Estado e reconhecer do papel do outro (a bancada), uma ferramenta importante desse processo.  Em vez de tratá-la como inimiga, a opção de vê-la como aliada. Pelo gesto, os parlamentares por sua vez, em reciprocidade automática cumprem com mais gosto a sua parte.

É bom lembrar. Com governador querendo ou não, a bancada federal tem todos os anos a sua sagrada prerrogativa de empenhar seus estimados R$ 300 milhões ao Orçamento, para onde quiser, e se quiser, que chova ou faça sol. Portanto, é o governo quem precisa mais dela do que o contrário.

Ao estender a mão e aprofundar essa conexão, de forma prática, natural e sem forçação de barra, João imprime, notadamente, um novo estilo pessoal e político, o seu, nessas relações institucionais. Uma concepção que separa partido e ideologia, de Estado e de gestão. Coisas que até se comunicam, mas que devem cada uma estar no seu seu devido lugar. Sob pena de o Estado ficar menor do que seus interesses maiores.

Vídeo

Meu comentário na Hora H: “Coronavírus lá fora e o efeito dentro da gente”


Os próximos 9 meses

Assanhada, Dona Candinha diz que nem tudo é privação e saiu-se com essa:

"Vêm aí os filhos da quarentena!"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
Na roleta russa lançada, quem vai arriscar sair de casa?
NÚMERO

240 mortes

Levantamento os casos do Brasil no último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, na noite desta quarta-feira.