Bastidores

Calvário chega ao Parlamento e deputada entra na investigação

15 de outubro de 2019 às 17h00

Pela primeira vez, um deputado entra no rol de investigados da Operação Calvário, na Paraíba. E trata-se de uma parlamentar. Despacho do desembargador Ricardo Vital, que autorizou hoje mais buscas e apreensões, coloca a deputada estadual Estela Bezerra (PSB-foto) como suspeita de “condutas criminosas” e liga a socialista ao Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (IPCEP), que administrava os hospitais Metropolitano de Santa Rita e Regional de Mamanguape.

De acordo com as investigações – acentua o release divulgado na tarde desta terça-feira pelo Tribunal e Justiça – , “há indícios da vinculação da deputada estadual Estelizabel Bezerra de Souza a determinadas condutas criminosas, cujo envolvimento aguarda diligências em andamento e que estão protegidas por sigilo”.

“A investigação levada a efeito no PIC nº 01/2019, objetiva aferir, se, efetivamente, houve o desencadeamento de uma plêiade de condutas complexas, perpetradas por uma Organização Criminosa que teria se instalado no Governo do Estado da Paraíba, inserindo-se, portanto, esta busca, no contexto da investigação relacionada à ORCRIM, a qual possui vínculos com pessoas com prerrogativa de função”, observou o desembargador.

Ricardo Vital afirmou que a análise do vasto material apreendido nas investigações permitiu observar que a criação da filial da Cruz Vermelha na Paraíba, além de teoricamente ensejar uma redução do custo da estrutura administrativa montada no Rio Grande do Sul, permitiria que Daniel Gomes atuasse com duas filiais em supostos esquemas criminosos, inclusive viabilizando a sua manutenção no mercado das organizações sociais, caso uma das filiais viesse a ser julgada inidônea.

“Nesse ponto, questiona-se o motivo pelo qual Daniel Gomes optou por colocar Mayara de Fátima Martins de Souza como presidente da CVB/PB, inclusive quando ela encontrava-se lotada como chefe de gabinete de Estelizabel Bezerra de Souza”, destacou. Segundo o desembargador, é possível que Daniel Gomes tenha permitido que a deputada Estelizabel tenha feito indicações semelhantes à que fez por Mayara Martins, no âmbito do IPCEP, sendo necessário o aprofundamento das investigações.

“Diante desse cenário, malgrado Estelizabel Bezerra não figurar dentre os legitimados passivos nesta cautelar, em razão da possibilidade de ser produzida prova contra ela, a competência permanece inalterada no âmbito desta Corte”, explicou Ricardo Vital.

Estela Bezerra ainda não se pronunciou sobre o despacho do desembargador. Nem pessoalmente, nem por meio de sua assessoria.

Confira o documento completo.

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