Opinião

A quem interessa o rompimento de Ricardo e João?

16 de setembro de 2019 às 12h33 Por Heron Cid
Ricardo Coutinho e João Azevêdo: a nova delimitação da política paraibana

Responda rápido: quem é o maior beneficiário do rompimento político? O governador João Azevêdo ou o ex-governador Ricardo Coutinho?

Antes da resposta, aos fatos.

Com o esfacelamento da oposição, Azevêdo voava em céu de brigadeiro, sem dificuldades na Assembleia, por exemplo, cujo enfrentamento praticamente se restringe hoje ao barulho dos deputados Wallber Virgolino e Cabo Gilberto.

O rompimento com Ricardo traz para João a dor de cabeça de enfrentar uma oposição corrosiva liderada por ninguém menos do que o seu principal cabo eleitoral em 2018. E de um grupo aguerrido cuja essência e histórico de militância são na base daquela lógica de que “feio mesmo é perder” e “os fins justificam os meios”.

E pouco importa se para essa tarefa o ex-governador contará com duas deputadas ou mais outros eventuais de uma resumida bancada. Nesse mister, ele e seu tino se bastam.

E vamos combinar, Coutinho sabe fazer oposição. Ainda mais contra um governo que tanto conhece por dentro quanto está infiltrado em todas as suas estruturas, com gente, informantes e dados fartos ao se dispor.

Consumado oficialmente o racha, em quatro anos João ainda não terá removido todos os grãos de uma areia movediça que fatalmente estará no seu caminho.

Escolher, deliberadamente, andar nesse território impreciso seria pouco inteligente da parte do governador e do seu estilo comedido.

Para Ricardo, porém, o contrário.

O ex-governador tem vocação, até prazer, pelo combate e o confronto. O conflito está para ele como o combustível para um carro de fórmula 1.

Com o vácuo na oposição e a perspectiva natural de uma tentativa de reeleição para João (foi assim com Camilo Santana e Rui Costa), para Ricardo o afastamento é estratégico.

A ruptura dá a Coutinho a condição automática de líder da oposição no seu indisfarçável desejo de voltar a ocupar o cômodo principal da Granja Santana.

E ele já deu os primeiros sinais da aptidão pela desconstrução. Passou a desancar o nível de investimentos próprios do Estado e a criticar o “ritmo” do governo de continuidade.

Essa tática de distanciamento passou a ser seu farol especialmente quando percebeu que, ao contrário do que supunha ou esperava, João Azevêdo não demonstra disposição de ser mero síndico do chamado “projeto”.

Uma percepção imperdoavelmente agravada depois que o sucessor exonerou secretários caros a Ricardo, ‘companheiros’ e ‘companheiras’ de sua estima e cota pessoal abatidos e abatidas pelos avanços da Operação Calvário.

Não coincidentemente, o processo de desvinculação foi declarado logo como ato contínuo às demissões. De imediato, foi deflagrada a operação com entrevistas coletivas e muitas observações críticas. O ápice se deu em Cajazeiras.

A partir daí passou-se a avaliação extrema de que o mais importante já fora perdido: a condição de tutor-mor e os espaços estratégicos de jabutis que conferiam o privilégio do exercício do poder, mesmo aparentemente fora dele.

O rompimento prematuro, portanto, interessa a Ricardo e ao seu discurso afeito às comparações para preparar o ambiente sonhado da volta triunfal e messiânica.

Não é só estratégia. É instinto de sobrevivência.

Somente isso justifica o preço do desgaste público e de imagem que paga para articular e presidir uma intervenção vertical e radical no partido que sempre deu as cartas.

Ricardo está decidido. Vai, mais uma vez, à guerra, campo em que ele sabe, como poucos, combater.

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NÚMERO

90

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