Opinião

A fatura da dívida política: o credor e os inadimplentes

12 de setembro de 2019 às 11h08 Por Heron Cid

O ex-governador Ricardo Coutinho e suas aliadas mais próximas, as deputadas Estela Bezerra e Cida Ramos, todos do PSB, se esmeraram nas últimas horas em apresentar a cobrança da fatura de dívidas políticas de socialistas recém-eleitos em 2018.

Veneziano Vital (PSB), senador, e João Azevêdo (PSB), governador, seriam os principais devedores.

Mas não só esses.

Ainda hoje, na Rádio Rural de Guarabira, os deputados Hervázio Bezerra e Ricardo Barbosa também receberam aviso de inadimplência do líder socialista paraibano.

Ambos foram solenemente chamados de “eternos suplentes”, convertidos pelas mãos de Coutinho a “titulares de mandatos”.

A fatura fora enviada mais eloquentemente ontem na entrevista de Ricardo ao jornalista Suetoni Souto Maior, no seu blog no site Jornal da Paraíba.

“Eu vejo com muita tristeza (a reação de aliados), porque eu servi para eleger 22 estaduais, seis federais, o estadual mais votado, o federal mais votado, o senador mais votado e um governador que há quatro meses da eleição tinha 2% de conhecimento…”

A reação veio horas depois. No começo desta manhã, em entrevista a Cláudia Carvalho e Wallison Bezerra, na Rádio Jovem PAN FM de João Pessoa, Veneziano Vital, um dos cobradores e que já fora alvo recente de sugestões de arrependimento manifestas pelo próprio Coutinho, protestou extrajudicialmente:

“Ninguém constrói nada isoladamente. As vitórias de Ricardo contaram com a presença ao longo de sua história de outros tantos companheiros. Não estou na condição de senador porque contei com a ajuda de Ricardo, que teve em 2018 um gesto maiúsculo em nome do projeto, mas tive outros tantos companheiros e por merecimentos próprios. Se João não fosse uma pessoa qualificada a população não o acolheria. Não vamos estabelecer quem deve mais a alguém”.

João Azevêdo ainda não se pronunciou sobre a tal dívida e nem se a renomeação do governo anterior inteiro, em janeiro, pode ser convertida em algum índice de amortização.

A preço de hoje, como diria Joelmir Beting, essa relação perdeu a liquidez. Sem perdão e juros inflacionados, o processo de falência anda perto de ser decretado.

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