Opinião

A cronologia do rompimento

11 de setembro de 2019 às 16h36 Por Heron Cid
João e Ricardo Coutinho, nove meses no preto e no branco

As guerras nunca são um fato isolado. São o resultado de uma sequência deles. E geralmente consequenciais. O drama do rompimento exposto do PSB, notadamente entre o ex-governador Ricardo Coutinho e o governador João Azevêdo, é a linha de chegada de uma série de contendas que, mal administradas, pariram a crise no grau de diagnóstico de irreversibilidade.

O racha, praticamente oficializado com o encaminhamento da direção nacional pela consolidação da intervenção com a instituição de uma comissão provisória, à revelia do diretório destituído, tem origem lá atrás. A liga começou a romper ainda em 2018, nos estertores do governo girassol II. Em cena, na época, a sucessão no Poder Legislativo.

30 de outubro de 2018 –  Assembleia aprovou Proposta de Emenda Constitucional que altera o § 4º da Constituição do Estado, vedando a reeleição do presidente da Assembleia Legislativa. A PEC de Ricardo Barbosa (PSB) contou com o empenho do deputado Adriano Galdino e com o que mais tarde viraria o G11.

7 de novembro de 2018 – O então governador Ricardo Coutinho diz, de viva voz, que a Assembleia, na ausência do presidente e eliado Gervásio Maia, feriu Regimento Interno ao aprovar a PEC, em dois turnos, na mesma sessão, cobra respeito e avisa que não aceita ser “tratorado”.

27 de novembro de 2018 – O presidente da Assembleia, Gervásio Maia, contraria a bancada e a Casa e, na linha de Ricardo, revoga, monocraticamente e de uma canetada só, a votação em plenário e os efeitos da PEC que extinguia a eleição antecipada e a reeleição dos presidentes.

26 de dezembro de 2018 – Em reunião na Granja Santana, com a presença do governador eleito João Azevedo (PSB), Coutinho defende projeto de resolução para instituir o voto aberto para Mesa Diretora da Assembleia. Era a mensagem da desconfiança e a reação do desconforto.

28 de dezembro de 2018- Dois dias depois, a Assembleia ignora a orientação palaciana, rejeita a proposta e mantém o voto fechado. Durante esse período, Ricardo demonstrava clara preferência pelos nomes dos deputados Buba Germano e, depois, Hervázio Bezerra para o comando da Casa, apesar da dianteira e consolidação de Adriano Galdino entre os pares.

Janeiro de 2019 – Com o nome de Adriano Galdino consensuado, Hervázio Bezerra (PSB) vira a opção do grupo ricardista para o segundo biênio, mas Tião Gomes (Avante) manteve disposição de disputar e não deu sinais de desistência. Reuniões de secretários do governo para pressionar por desistência o embrião do G11 não tiveram sucesso.

1 de fevereiro de 2019 – Adriano Galdino é eleito para o primeiro biênio e, surpreendentemente, é lançado por Tião Gomes, que retirou a postulação. Terminou sendo aclamado, com votos da oposição, para o segundo biênio, derrotando a candidatura ungida de Hervázio Bezerra, o que gerou frisson na base governista, insatisfação de Ricardo e queixas de governistas mais ortodoxos em relação ao envolvimento do novo governador João Azevêdo no processo.

21 de fevereiro de 2019 – Com a disputa de Cida Ramos e Pollyana Dutra, para presidência da CCJ, sendo a última a vitoriosa, ficou explícita a divisão da bancada do socialista na Assembleia. Uma de João e outra de Ricardo.

13 de maio de 2019 – Cúpula do PSB, liderada já pelo ex-governador Ricardo Coutinho, se reúne, secretamente, para “avaliar” passos, medidas e o desempenho do governador João Azevêdo, que não compareceu ao encontro. Adriano Galdino, idem. O fato foi revelado com exclusividade aqui no Blog.

20 de maio de 2019 – Comissão formada pela reunião anterior se encontra com João Azevêdo na Granja Santana para expor avaliação e insatisfações.

21 de maio de 2019 – No dia seguinte, João, ao avaliar o encontro, lembrou, em entrevista ao Blog, que há tempos assenta tijolos no chamado ‘projeto’. “Eu ajudei a construir isso, até porque estou desde 2005 sendo pedreiro dessa obra”, pinçou.

22 de maio de 2019 – Líder do governo, Ricardo Barbosa discorda de críticas de setores do PSB à condução político-administrativa de João.

25 de maio de 2019 – Em Cajazeiras, durante entrevista coletiva, Ricardo Coutinho faz críticas veladas a João Azevedo, especialmente na relação com o G10, grupo do qual sugeriu a João afastamento. Durante três horas de pronunciamento, nenhum elogio ao governador que o sucedeu.

 27 de maio de 2019 – Confrontado, Azevêdo evita atrito com Ricardo, mas se impõe: diz que não caiu de paraquedas no “projeto” e trata o G10 como aliado. Já não falavam mais a mesma língua.

29 de maio de 2019 – Em Guarabira, João deu uma dura declaração aos repórteres Rudney Araújo e Rodrigo Souza: “Não existe rompimento. Aliás, aprendi na política, com o próprio Ricardo Coutinho, que não se rompe, se alguém não estiver satisfeito de estar próximo a mim, que faça o seu ato”.

1 de junho de 2019 – Ricardo surpreende o mundo político e, ao contrário do clima de animosidade, chega com João Azevedo no Espaço Cultural, em João Pessoa, na última plenária do Orçamento Democrático. Um gesto de distensão que, depois se veria, duraria pouco.

24 de julho de 2019 – A deputada Estela Bezerra (PSB) comenta convites de filiação partidária ao presidente da Assembleia, Adriano Galdino (PSB), defendendo uma “depuração no PSB. “Também acho que os deputados que não têm convicção, ideologia socialista, devem se sentir à vontade para sair”.

30 de julho de 2019 – Edvaldo Rosas, presidente estadual do PSB, é nomeado pelo governador João Azevêdo para a chefia de governo, uma das mais importantes pastas da gestão.

Dia 31 de julho de 2019 – As deputadas Cida Ramos e Estela Bezerra passam a defender mudança no comando do PSB e se auto-sugerem como opções. Depois passam a citar o ex-governador Ricardo Coutinho como alternativa de consenso.

13 de agosto de 2019 – Movimento por assinaturas de renúncias de diretorianos do PSB é deflagrado nos bastidores, capitaneado por pessoas e lideranças partidárias ligadas ao ex-governador, entre elas as deputadas Cida Ramos e Estela Bezerra e o deputado federal Gervásio Maia.

16 de agosto de 2019 – De posse de uma lista de renúncia coletiva de integrantes do Diretório Estadual, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, informa a “autodissolução” do PSB na Paraíba e anuncia disposição de criação de uma comissão provisória para gerenciar o partido.

9 de setembro de 2019 – Reunião programada pelo Diretório Nacional para definir comissão provisória. Ala ligada a João Azevêdo no diretório estadual destituído informalmente envia carta com histórico dos fatos, conclui que não aceita comissão provisória e defende a manutenção do diretório eleito. O presidente Carlos Siqueira decide criar a comissão com sete integrantes e entregando o comando a Ricardo Coutinho.

10 de setembro de 2019 – João Azevêdo, Edvaldo Rosas, Valquíria Alencar e Veneziano Vital, senador da República, declinam publicamente da participação e discordam do encaminhamento. Ricardo Coutinho defende a comissão como solução democrática e o presidente da Assembleia e prefeitos sinalizam desfiliação do partido.

A data final ainda está em aberto. Quem assinará o ato de consumação? Ou Carlos Siqueira já carimbou?

Vídeo

Repórter MaisTV: Paraíba só tem 30 km de ferrovia ativa


Ressignificando

Se a CPMF voltasse, Dona Candinha já estava pronta para traduzir a nova sigla:

"Cota Permanente para Mamar e Ferrar (CPMF)"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
João Azevêdo diz que “há outros motivos por trás” da intervenção no PSB: quais são?
NÚMERO

57%

Percentual de ampliação dos recursos destinados para o Programa de Qualificação das Ações da Vigilância em Saúde – PQA-VS, do Ministério da Saúde, para a Secretaria de Estado da Saúde (SES), valor que saltou de R$ 700 mil para mais de R$ 1,1 milhão.