Bastidores

Intervenção no PSB e a avant premiere do filme do rompimento

10 de setembro de 2019 às 10h58
Alas do PSB esticaram a corda até o limite máximo: partido vive traumático processo de intervenção vertical

Reportagem de Maurílio Júnior, no Portal MaisPB, traz a avant premiere do filme cujo roteiro terminou de ser acabado ontem em Brasília, no diretório nacional do PSB, com a consolidação da intervenção no diretório estadual da Paraíba. No dia seguinte, prefeitos do partido já anunciam disposição de deixar a legenda, agora sob o domínio do interventor nomeado para presidir a comissão provisória, o ex-governador Ricardo Coutinho. Ao Portal MaisPB, dois primeiro prefeitos (Rio tinto e Lucena) avisaram que estão de saída. Reclamam do encaminhamento cartorial (de cima pra baixo) e questionam qual motivo levou esse racha, já que não há nenhuma interrupção programática do chamado “projeto”. Outros gestores assinaram a carta enviada pela ala de João Azevêdo para a reunião de ontem na capital federal, que resultou na instituição de uma comissão provisória, exatamente o que o grupo do governador disse expressamente rejeitar por considerar uma medida antidemocrática contra um diretório eleito até 2020.

Confira a reportagem na íntegra:

A crise do PSB caminha para uma debandada de lideranças municipais. Os prefeitos Marcelo Monteiro (Lucena) e Fernando Naya (Rio Tinto) disseram, na manhã desta terça-feira (10), ao Portal MaisPB, que deixarão o PSB, em decorrência da crise instalada pelo grupo do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB).

A exemplo de seis prefeitos, que assinaram a carta enviada pelo governador João Azevêdo (PSB) à direção nacional, Monteiro e Naya são contra a intervenção na legenda. Ontem (9), em Brasília, o presidente Carlos Siqueira anunciou que Coutinho assumirá a presidência da Comissão Provisória da sigla, em substituição a Edvaldo Rosas, destituído do cargo, após uma articulação do grupo do ex-governador.

O prefeito de Lucena, Marcelo Monteiro, adiantou que seguirá João Azevêdo para onde ele for e criticou Ricardo Coutinho. “A gente aqui acompanha o governador João Azevêdo. Sigo o governador para o partido que ele for. Como já disse o presidente da Assembleia [Adriano Galdino], Ricardo era para ter conversado antes e não ter ido por cima”.

Naya anunciou que também ficará ao lado de Azevêdo por “coerência”. “Em 2007, eu fazia parte do PPS. Na época o presidente era Hermano Nepomuceno e teve uma intervenção de cima para baixo, e junto com Hermano, saímos do partido e fomos para o PSB. Diante dessa situação, onde Edvaldo Rosas e o governador João Azevêdo não receberam nenhuma satisfação, nem os prefeitos, manterei minha linha de coerência e não seguirei no partido, a não ser que o governador ficasse no comando. Edvaldo é um cara direito e de forma alguma eu poderia ser incoerente e concordar com esse tipo de articulação. Como já disse João Azevêdo, que não permanece no partido, eu também não permanecerei”, justificou.

O prefeito de Rio Tinto ressaltou que o lado escolhido representa o da democracia. “João Azevêdo tem feito o papel dele. Não vejo nada que não esteja sendo cumprido para tocar o projeto, que defendemos desde 2010. João tem sido competente e dialogado com as instituições. Fico do lado da coerência, da democracia e do governado João Azevêdo”, complementou Fernando Naya.

Os prefeitos Chico Mendes (São José dos Piranhas), Ricardo Pereira (Princesa Isabel), Mária Eunice (Mamanguape), Benício Araújo (Pilar), Murilo Nunes (Araçagi) e Fábio Tyrone (Sousa) acompanharam o governador João Azevêdo na carta enviada à direção nacional do PSB.

Maurílio Júnior – MaisPB

Vídeo

Repórter MaisTV: Paraíba só tem 30 km de ferrovia ativa


Ressignificando

Se a CPMF voltasse, Dona Candinha já estava pronta para traduzir a nova sigla:

"Cota Permanente para Mamar e Ferrar (CPMF)"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
João Azevêdo diz que “há outros motivos por trás” da intervenção no PSB: quais são?
NÚMERO

57%

Percentual de ampliação dos recursos destinados para o Programa de Qualificação das Ações da Vigilância em Saúde – PQA-VS, do Ministério da Saúde, para a Secretaria de Estado da Saúde (SES), valor que saltou de R$ 700 mil para mais de R$ 1,1 milhão.