Opinião

A fuga do conceito (inevitável) de intervenção

10 de setembro de 2019 às 12h50 Por Heron Cid
Estratégia por intervenção levou Ricardo Coutinho a deixar posto de presidente de honra e trocar pelo de interventor no PSB

A ala vencedora do round pelo comando do PSB do estado foge do termo intervenção como o vampiro do sol. A fuga é óbvia pelo grau de antipatia patente da opção de parte do PSB pelo arrebatamento abrupto do seu comando.

O ex-governador Ricardo Coutinho se referiu hoje a uma “autodissolução”, mas, considerando como verdadeira, esta teria sido fruto, na verdade, de um movimento secreto e nos bastidores de coleta de renúncia para esvaziar o diretório eleito e criar o ambiente da transferência de comando. Sem diálogo e sem debate prévio nas instâncias e na base, o que seria “democrático” num partido que preze, minimamente, por democracia interna.

Não foi o que se assistiu, registre-se. Até hoje nem o diretório destituído e nem a opinião pública paraibana sequer tiveram acesso ao conteúdo, de interesse público, dos argumentos políticos e da identidade ou veracidade da lista dos signatários que renunciaram aos seus postos na direção estadual.

Tudo ficou restrito a Brasília, ao andar de cima, onde, sabidamente, Ricardo Coutinho, por méritos acumulados, exerce forte influência, a partir da Fundação João Mangabeira, detentora de parte significativa dos recursos do fundo partidário do PSB e difusora dos debates ideológicos da sigla.

Para ser justo, nenhuma alteração substancial. Na prática, Ricardo continua como antes; mandando no PSB, cuja engenharia sempre funcionou em função dele e dos seus insights. A diferença agora é que, além de mandar, ele quer o cargo, a simbologia disso, e a totalidade dos poderes na estrutura. Por quê? Porque quer. Simples assim.

Depois da intervenção que o nomeou presidente, Coutinho fez ao blog de Suetoni Souto Maior uma inusitada pregação: “O PSB-PB precisa de um renascimento”. No que tem razão. Pelo cataclisma que se prenuncia, pós-intervenção, o partido precisará de uma ressurreição. A começar pela reformulação dos conceitos de democracia e de interventor.

Vídeo

Repórter MaisTV: Paraíba só tem 30 km de ferrovia ativa


Ressignificando

Se a CPMF voltasse, Dona Candinha já estava pronta para traduzir a nova sigla:

"Cota Permanente para Mamar e Ferrar (CPMF)"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
João Azevêdo diz que “há outros motivos por trás” da intervenção no PSB: quais são?
NÚMERO

57%

Percentual de ampliação dos recursos destinados para o Programa de Qualificação das Ações da Vigilância em Saúde – PQA-VS, do Ministério da Saúde, para a Secretaria de Estado da Saúde (SES), valor que saltou de R$ 700 mil para mais de R$ 1,1 milhão.