Opinião

João governa num campo minado

9 de setembro de 2019 às 13h15 Por Heron Cid
Governador anda sobre território de instabilidades; bombas armadas no caminho e boicotes ameaçam desempenho

Várias repartições públicas estatuais da Paraíba já reproduzem o que está estabelecido nos bastidores e até em gestos públicos: o racha no PSB e no governo é real.

Em algumas delas, os grupos de João Azevêdo, governador, e Ricardo Coutinho, ex-governador, podem ser facilmente identificados.

Com uma especificidade. A ala do governo anterior trabalha contra o atual.

Uns mais ousados sem qualquer constrangimento. Os mais comedidos com alguma prudência para preservação do contracheque.

A guerra interna e disputa de poderes funcionam como uma espécie de área movediça a segurar os pés do atual governador num ponto de estagnação.

O governo não pode andar.

Para isso, toda uma entourage encrustada na máquina faz o trabalho de segurá-la em ponto morto.

Esses agem pelo raciocínio segundo o qual detêm, por legitimidade e antiguidade, parte da propriedade intelectual e política do governo.

Nesse pensamento, a gestão só pode dar certo se a relação política estiver totalmente sintonizada com o chefe anterior. Do contrário, boicote.

Participar de um processo que se construiu é conquista e direito. Desestruturá-lo, por birra, é outra coisa.

Não saem e nem respeitam a autoridade de quem está no comando. A obediência e reverência somente a quem os colocou lá. Não a quem os manteve.

Algo parecido com o que houve em tempos da crise em torno de Luciano Agra, na Prefeitura de João Pessoa, em 2012.

Agra foi por um período um prefeito que via seu despachos e bilhetes solenemente ignorados por alguns secretários e assessores.

Há, naturalmente, soldados devotados pelo governo anterior infiltrados em todas as esferas. Se brincar, até na guarda pessoal do governador.

As bombas estão espalhadas por todo o território onde João pisa. Um campo minado difícil de ser desarmado.

Vídeo

Repórter MaisTV: Paraíba só tem 30 km de ferrovia ativa


Ressignificando

Se a CPMF voltasse, Dona Candinha já estava pronta para traduzir a nova sigla:

"Cota Permanente para Mamar e Ferrar (CPMF)"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
João Azevêdo diz que “há outros motivos por trás” da intervenção no PSB: quais são?
NÚMERO

57%

Percentual de ampliação dos recursos destinados para o Programa de Qualificação das Ações da Vigilância em Saúde – PQA-VS, do Ministério da Saúde, para a Secretaria de Estado da Saúde (SES), valor que saltou de R$ 700 mil para mais de R$ 1,1 milhão.