Opinião

Uma novela de oito anos

5 de setembro de 2019 às 10h12 Por Heron Cid
Em despacho, o então delegado geral Raimundo Silvany encaminha inquérito para o Governo do Estado decidir com visão política o que seria de competência criminal

Junho de 2011. Delegados da Polícia Civil interceptam e apreendem um carro e seu motorista. Nele, encontram R$ 81 mil em envelopes marcados por iniciais.

O inquérito levanta a suspeita de que o montante, proveniente de um escritório de advocacia de Natal, seria para pagamento de propinas a ex-secretários da Prefeitura de João Pessoa na gestão de Ricardo Coutinho, quase todos aproveitados posteriormente no Governo do Estado.

Um despacho do então delegado-geral Raimundo Silvany encaminhou a documentação para o Palácio da Redenção decidir politicamente sobre o caso.

A investigação, como se sabe, foi misteriosamente sacrificada. O mais grave: celular e outras provas materiais teriam sido raptados de dentro da (quem diria?!) Secretária de Segurança Pública.

Se a ação policial era política dos delegados, como sugeria o despacho, o que justifica o fato de praticamente todos os que participaram da operação terem sido promovidos?

O caso veio à tona na campanha de 2014, de forma anônima. Nunca se soube se esse material chegou ao Ministério Público, por dever de ofício, como manda o script.

Até um inquérito interno no MP foi aberto para identificar o paradeiro e desvendar o mistério. Nunca, ao longo desse tempo, se teve uma resposta concreta.

Oito anos depois, já com nova conjuntura política, o enigma começa ser decifrado. Parte da delação premiada da ex-secretária Livânia Farias se dedicou a tratar do caso daquele junho de 2011.

Ela, segundo o MP, diz que a suspeita da apreensão era verdadeira e os policiais estavam certos. O dinheiro seria para pagamento de comissões a agentes públicos, ela entre eles.

Mas o labirinto ainda não está totalmente elucidado. Perguntas continuam no ar e ainda carecem de respostas.

Quem prevaricou?

Esse inquérito algum dia chegou mesmo ao MP? Se chegou, para onde foi e por que morreu de asfixia?

Se não chegou, quem foi o responsável pela sua interceptação e morte? Com ordem de quem?

Cenas do próximo capítulo!

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Ressignificando

Se a CPMF voltasse, Dona Candinha já estava pronta para traduzir a nova sigla:

"Cota Permanente para Mamar e Ferrar (CPMF)"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
João Azevêdo diz que “há outros motivos por trás” da intervenção no PSB: quais são?
NÚMERO

57%

Percentual de ampliação dos recursos destinados para o Programa de Qualificação das Ações da Vigilância em Saúde – PQA-VS, do Ministério da Saúde, para a Secretaria de Estado da Saúde (SES), valor que saltou de R$ 700 mil para mais de R$ 1,1 milhão.