Opinião

Canal fechado, vísceras abertas

2 de setembro de 2019 às 15h56 Por Heron Cid

O comício realizado em Monteiro, sob o título de S.O.S Transposição, não foi de todo um desastre, como os mais radicais decantam. Se não teve povo e público à altura do que se propagou, a caravana do PT, essa sim, apareceu e evitou vexame maior. Ponto para o fervor da militância petista, uma das raras que ainda consegue se mexer sem contracheque.

Aliás, o evento provou que já nem todas elas saem de casa de graça. E que liderar sem caneta e comissionados é um desafio dos novos tempos.

Se não atingiu a plateia esperada, o palanque foi montado, como admitiu a real pretensão dois dias antes ao Blog o destemido deputado Anísio Maia do PT.

Haddad e Gleisi tiveram microfone para manter a peregrinação de uma nova espécie de terceiro turno, batizada de Lula Livre. De tão batido, não empolga mais as massas, vacinadas contra essa disputa vazia de poder que não consegue responder aos desafios da vida nossa de cada dia.

De saldo mesmo, afora as imagens do esvaziamento, a mensagem política que ficou: não só as relações internas do PSB, mas o campo da esquerda na Paraíba está tão fraturado quanto as placas do canal prematuramente derretidas ao sol inclemente do Cariri paraibano.

A ausência de instituições, autoridades, lideranças e governadores, incluindo o da Paraíba, é sintomática. Mais do que uma pauta popular que une, o evento foi concebido para atender uma demanda específica: no lugar de um tema plural, a autoafirmação singular.

Uma aspiração que ficou mais transparente do que as águas que teimam em não escoar. Essa construção autocrática inibiu presenças e vacinou uma população já enfastiada da sina de massa de manobra.

A nota expelida pelo deputado petista Anísio Maia, hoje, e os sussurros e queixas de lideranças petistas nos bastidores exemplificam.

“Para isto alguns métodos devem ser corrigidos. Ou operamos isto rapidamente ou a correlação de forças no Estado tenderá inevitavelmente para a direita. Isto é muito mais importante do que querer mostrar quem é o dono da Paraíba”, assinou o parlamentar petista.

Uma fala que dá a ideia de um sentimento de esgarçamento e cansaço. Apesar do gesto benevolente e salvador da presença vermelha no evento, o PT também não se sente confortável no papel de acessório utilitário.

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