Opinião

Algo mais

26 de agosto de 2019 às 12h54 Por Heron Cid

Por ocasião da posse do jornalista Merval Pereira, de O Globo, na Academia Brasileira de Letras, o escritor Eduardo Portela acolheu o novo acadêmico com uma bela reflexão sobre o exercício jornalístico nesta nova e imprecisa era digital, marcada pelo imediatismo insaciável.

“O jornalista é aquele que se debruça cotidianamente, infatigavelmente, sobre a notícia da hora, limitado pelo instável serviço de meteorologia da vida política. Não é esporte para ser praticado por amadores, por melhores que sejam as condições físicas do suposto atleta. A sua condição de escritor em regime de urgência aumenta ainda mais os seus desafios”.

De fato, uma atividade desafiadora, mas ao mesmo tempo instigante, adrenalina pura na veia do mister da comunicação.

Conciliar as hoje múltiplas e quase obrigatórias plataformas, ainda mais.

É o que venho experimentando na última década, no triplo ofício de equilibrar rádio, televisão e Internet, um malabarismo alucinante que exige físico e mente, inspiração e muita transpiração, uma simbiose de sacrifícios e delícias.

Some-se nessa conta outra peleja: gestão de negócios, um terror para todo jornalista, por essência, e até formação, pouquíssimo preparado ou estimulado ao empreendedorismo e ao gerenciamento de pessoas e receitas.

Nessa maratona, venho vencendo etapas razoavelmente. Semana passada, completei uma prova. A decisão pessoal de pedir demissão do valioso e pujante Sistema Arapuan, depois de quatro anos, é um passo numa jornada que já soma 12 anos.

Um tempo que forjou em mim a sensação de estar preparado para pilotar as próprias pernas, com mais tempo, flexibilidade e autonomia para seguir novas corridas, com produção ajustada à minha rotina e sem mais o necessário e não menos honroso expediente.

O jornalismo já não tem mais lugar fixo. Ele é perene e funciona como o bombeamento do coração, o pulsar das veias. Para os inquietos e irrequietos, feito eu, isso já não assusta. Pelo contrário, é um doce estímulo, impulsiona a seguir mudando, experienciando e, claro, aprendendo.

Na saudação a Merval, o acadêmico registrou: “Esse trabalho é uma atividade arriscada, e não raro, temerária. O seu horizonte corta a linha movediça do efêmero. A aposta maior consiste em contribuir com algo mais, que o habilite a transpor a fugacidade da manchete, a revitalizar a permanência do instante”.

É uma energia nova, que rebobina, que reseta. Não para voltar no caminho, mas para avançar na estrada. Em novas estradas, com suas curvas, paradas e chegadas. Assim como Merval em 2011 na ABL, neste agosto de 2019 eu me sinto chegando. Em mim mesmo. “Com algo mais”, como cravou Eduardo Portela no seu brilhante texto.

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