Bastidores

Fogo brando (por Dora Kramer)

13 de agosto de 2019 às 14h00
(Cristiano Mariz/VEJA)
Declarações do presidente sobre propostas e condutas do ministro da Justiça suscitaram a interpretação de que Jair Bolsonaro tivesse posto Sergio Moro na frigideira de incinerar subordinados. Não é isso. Bolsonaro pode ser visto como maluco, age como tal, mas não rasga votos.

Uma coisa é o presidente procurar diminuir o tamanho do ministro a fim de reduzir também o volume da sombra que lhe faz Moro no certame de popularidade. Outra bem diferente é Bolsonaro abrir mão de um capital tão importante quanto Sergio Moro, conforme indicam as pesquisas de opinião. O bolsonarista de raiz gosta de Moro e, portanto, uma demissão por iniciativa presidencial só lhe traria prejuízos.

No lugar da “fritura” seria mais correto interpretar que o presidente cozinha o ministro em fogo baixo. Não tão fraco que permita o auxiliar se sentir muito independente devido ao respaldo popular nem tão forte que provoque a perda de um ativo eleitoral de peso.

A dúvida é qual a razão de Sergio Moro aguentar humilhações sem aparentemente se perturbar. A resposta talvez esteja na constatação de que não fez o melhor negócio do mundo ao deixar a carreira de juiz, mas que agora a única opção para atravessar o deserto é seguir em frente na mesma trilha na esperança de encontrar adiante o conforto de um oásis.

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