Opinião

PCdoB-PB: da ortodoxia ao aluguel

15 de julho de 2019 às 16h16 Por Heron Cid
Quando até um PCdoB não resiste à prática utilitária, o que esperar dos demais partidos num sistema deteriorado e promíscuo

Helton Renê, único vereador do PCdoB em João Pessoa, está para se desligar do partido. Fácil desligar do que se nunca foi, de fato, parte.

A iminente saída de Helton não é o que importa, mas o que ela representa para além de uma ficha rasgada.

A despeito de sua linha programática bem definida e de sua ortodoxia, o PCdoB paraibano se rendeu à lógica dos partidos tidos e havidos como fisiologistas.

Tal qual os “outros”, a legenda, que derivou do racha do PCB do lendário Luís Carlos Prestes, flexibilizou por aqui demais nas suas ideologias e critérios de filiação.

E não é coisa da atual direção, comandada pela advogada Gregória Benário. Já vem de antes.

Sem perspectiva real de eleger um quadro identificado com sua história e “ideal” (o último foi o deputado Simão Almeida), o PCdoB aderiu à política do atalho como método de ter um parlamentar pra chamar de seu.

Em 2016, para ter um vereador em João Pessoa, abrigou o destacado Helton Renê (ex-PP).

Lá atrás, a sigla filiou Zé Paulo de Santa Rita, que entende mais de física quântica do que das bases do socialismo. Ingresso motivado por matemática pura e simples em que candidatos escolhem a melhor coligação para se eleger.

Na sua crise de identidade, o partido praticamente institucionalizou essa tática contraditória à sua teoria. Ao ponto de para voltar a ter um deputado na Assembleia, depois da debandada do ‘comunista’ Zé Paulo, puxou o ex-tucano Inácio Falcão para suas fileiras.

Um pragmatismo capaz de corar um MDB da vida. Uma relação reciprocamente utilitária que explica a permanência relâmpago de todos esses estranhos filiados e o fato de nenhum deles conseguir sequer fazer a travessia de uma eleição para outra na legenda.

E – pela prática – nem o próprio partido pode cobrar coerência do ‘camarada’. Aluguel comporta distrato a qualquer tempo e hora.

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