Opinião

Um presidente (im) previsível

13 de julho de 2019 às 12h15 Por Heron Cid

Ainda tem quem se surpreenda com as piruetas do presidente Jair Bolsonaro. Alguns, é verdade, por excesso de generosidade e torcida, outros por má fé usam as ações exóticas para a desconstrução do “mito”, como certos devotos costumar tratar o chefe da Nação.

Tenho até a ligeira impressão que Bolsonaro, calculadamente, se diverte com as reações, as críticas e os inusitados apoios ao que facilmente pode se identificar como aventuras ou posturas e medidas pouco usuais.

A da vez: o convite para o filho deputado, Eduardo, virar embaixador brasileiro nos Estados Unidos, o maior posto da diplomacia nacional. Uma providência, óbvio, pra lá de inusitada para os nossos padrões.

Mas quem disse que Bolsonaro quer ser um presidente dentro da caixa padronizada? Tudo o que ele faz, e o faz deliberadamente, é na direção de quebrar regras. A sua eleição está nesse padrão (ops!), ou melhor, fora do padrão.

O presidente parece empenhado em chocar. Sabe, com todo o nível de consciência, que a nomeação do filho, ou a simples menção, viraria polêmica e motivo de debates. De inocente, amador, ele não tem nada.

A cada lance, por mais esdrúxulo que seja, está pautando a cena. Das obscenidades de carnaval ao contingenciamento na Educação, do combate a ideologia de gênero à comemoração do Golpe Militar de 1964, ao seu modo, Bolsonaro dá o tom do que se viraliza nas redes e nas rodas políticas. Para o bem ou para o mal.

É ingenuidade esperar dele qualquer movimento dentro da lógica. Bolsonaro quer estabelecer a sua própria lógica. De preferência, rompendo com o status quo e dando lugar ao ilógico como parâmetro de ação.

Para irritar um lado e conquistar outro, ele faz da imprevisibilidade a sua arma mais previsível. É melhor já ir se acostumando. Será assim até o fim. Daqui a quatro ou oito anos.

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