Bastidores

Não caia no alarmismo contra os agrotóxicos (por Leandro Narloch)

13 de julho de 2019 às 11h00

Ambientalistas têm se debatido contra a aprovação mais frequente de agrotóxicos pelo Ministério da Agricultura. A crítica me parece motivada mais por razões políticas que ambientais. Do ponto de vista da saúde pública e da natureza, a chegada de novos produtos e substâncias é uma ótima notícia para o Brasil. Abaixo, quatro motivos para ignorar o alarmismo dos ambientalistas.

1. O erro sobre agrotóxicos
O repórter e ambientalista André Trigueiro contestou a estatística da FAO que coloca o Brasil como o 44º país no ranking de uso de agrotóxicos por hectare. Baseia-se numa declaração da geógrafa Larissa Bombardi, da FFLCH-USP. Segunda ela, a estatística da FAO incluiria também as extensas áreas de pastagens do Brasil, que diminuiriam a média brasileira.

Isso simplesmente não é verdade. A estatística da FAO divide o consumo total de defensivos no Brasil (377 mil toneladas) pela área de cultivo (87 milhões de hectares), chegando ao número de 4,31 quilos por hectare. Se considerarmos também pastos ativos e inativos (no total, 283 milhões de hectares), o número brasileiro ficaria em 1,33 – um dos menores do mundo.

É um absurdo não ter verificado uma informação tão relevante.

2. Mais variedade não significa mais quantidade
Um risco ambiental dos pesticidas é o acúmulo de resíduos em rios e lençóis freáticos. Esse acúmulo é mais frequente se os produtores usam demais uma única substância, em vez de várias com menos intensidade. Se o governo libera o uso de novas moléculas, a diversidade aumenta – e cai a chance de problemas com o excesso de resíduos.

3. Novos produtos tendem a causar menos impacto
As indústrias químicas costumam atender a demanda de cada época. No passado, preço e a eficiência falavam mais alto que o impacto ambiental; hoje não é bem assim. A Anvisa segue a regra de só autorizar produtos que causem menos impacto que similares no mercado. Para retirar os mais nocivos sem atrapalhar a produção de alimento, é preciso liberar os menos prejudiciais.

Veja o caso da atrazina, uma das substâncias mais usadas no Brasil, principalmente em milharais. Técnicos me contaram que a atrazina é uma molécula móvel – com muita facilidade chega cursos de água. Aparece em metade das análises de rios e lençóis freáticos de São Paulo – ainda em quantidades bem inferiores ao limite recomendado. Para evitar que a atrazina se torne um problema, é preciso que o governo aprove a venda de substitutos menos nocivos.

Das aprovações da Anvisa este ano, quase todas são de genéricos de substâncias já utilizadas. Entre genéricos e novas moléculas, há mais de mil produtos à espera da análise da Anvisa, alguns há sete anos. Quem se preocupa com o meio ambiente deveria criticar o governo pela demora — e não pela agilidade — em aprovar ou reprovar os agrotóxicos.

4. Países mais longevos são os que mais usam agroquímicos
O Japão encabeça quase todos os rankings mundiais de uso de defensivos. Seu consumo equivale a dois terços dos números do Brasil, que tem uma área de cultivo quase vinte vezes maior. Essa liderança não impede que o Japão tenha a maior expectativa de vida do mundo – 86 anos para os homens.

A longevidade, aliás, é um traço comum de outros grandes consumidores de defensivos, como a Coreia do Sul, Holanda, Bélgica, Israel ou Nova Zelândia. Países que usam mais química no campo costumam ser mais prósperos, ter comida mais barata e melhor medicina.

Já entre os lugares que, segundo a FAO, menos consomem defensivos em todo o mundo estão Etiópia, Quênia, Congo e Cazaquistão.

Japão ou Etiópia? Nova Zelândia ou Cazaquistão? Deixo que o leitor decida onde é mais agradável viver.

Crusoé

Vídeo

Vídeo: Heron Cid frente a frente com Heron Cid


Mumificação

Dona Candinha já comprou um remédio para garantir que estará bem até conseguir se aposentar:

"Formol!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Ainda tem político no Brasil que se sinta confortável e seguro de trocar mensagens via aplicativos?
NÚMERO

1.500

Previsão de geração de empregos com a criação do HELP – Hospital de Ensino, Pesquisa e Laboratório – da Unifacisa, em Campina Grande.