Opinião

A reforma que João queria

9 de julho de 2019 às 11h06 Por Heron Cid
João Azevêdo foi até o limite máximo na tumultuada relação com setores do PSB

Estava prenunciado que a equação não fecharia. Governadores se perfilaram contra a reforma da Previdência nos moldes da sua apresentação. No fundo, sempre souberam da necessidade dela, mas colocaram o ‘bode na sala’ para duas barganhas: melhorar o texto e conquistar pontos do interesse dos estados. Até aí tudo bem. É legítimo.

Mas passaram um pouco do ponto. Quando se deram conta, um obstáculo maior estava no caminho: a retirada de estados e municípios do texto e a decisão irrevogável tomada pelos líderes partidários de não ceder. Uma reação contra a falta de empenho de converter votos das bancadas estaduais, apesar da evolução dos pleitos apresentados pelos governadores.

Nesse contexto, o governador da Paraíba adotou postura mais moderada entre os radicais colegas do Nordeste, movidos muito mais pela tal ideologia e o ranço das urnas do que por uma convicção administrativa responsável. Não há declarações frontalmente contrárias de Azevêdo, tanto que ele participou ativamente dos debates de aprimoramento do texto, lembrou hoje o secretário Luís Tôrres, da Comunicação.

João reinvindicava, no paralelo, compensações para os estados, a partir da chamada Pauta Federativa, que ajudaria a colocar dinheiro novo nos cofres e a diminuir os déficit’s. O que não prosperou, nem da parte do Governo Federal nem do relator da reforma, o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

O governador paraibano ficou numa dificuldade aparente. Como defender a reforma sem ela contemplar diretamente as realidades e desafios regionais? Por isso, sobrou pouca margem que não fosse a de ceder à deliberação tomada pelo seu partido, o PSB, durante a plenária nacional, que fechou questão no voto contrário ao texto.

O socialista reconhecia a imperiosa e iminente providência de ajustar a Previdência para garantir a sua sustentabilidade, excetuadas as mudanças no BPC e na aposentadoria rural, por exemplo, mas enfrentou oposição na sua própria casa, o PSB, cujo encaminhamento é muito mais movido pela tática política do que pela responsabilidade social e fiscal.

Nesse debate interno, o governador do Estado – técnico por essência – é da ala e perfil mais moderado, só que no meio de um campo majoritário de vozes mais radicais. Pensamentos que se chocam e que o levaram a um imprensado entre a realidade – absorvida por ele – e o discurso – adotado pelo partido.

Dá até pra dizer que João queria a reforma, mas a reforma não o quis.

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"Ouvirá melhor o Brasil!"
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Quem pode ir para Secretaria de Chefia de Governo, ocupada interinamente?
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